A "Farra" de Marta

O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba é pioneiro no Brasil na adoção do processo eletrônico, e antes, despontou na vanguarda da transparência dos gastos públicos, próprios, e dos seus jurisdicionados. A criação do SAGRES possibilitou o acesso de todos a um mundo de informações que, no passado, era privilégio de poucos. O fornecimento de dados colhidos nesse banco, ganha, de imediato, foro de credibilidade, mas, às vezes, se presta ao exagero do noticiário lastreado quase sempre no preconceito contra determinadas despesas ou categoria de gestores. É o caso dos prefeitos municipais, cuja execução dos dispêndios têm sido objeto de ação disciplinadora e de vigilante contenção naquela Corte de Contas.

Exemplo do que afirmo foi o amplo noticiário do ultimo domingo, destacando as despesas com diárias civis beneficiando titulares de mandato executivo municipal. A notíia evidencia uma acusação explícita de que os prefeitos estariam engordando seus subsídios à custas de diárias fictícias. Não há no serviço público detentor de cargo que se desloque, a serviço, sem que se utilize do recebimento de diárias, seja ele prefeito, deputado, ministro, desembargador, procurador ou conselheiro. Mas quando se trata de prefeitos, se generaliza a suspeita e se expõem os nomes na imprensa como se houvessem cometido um crime hediondo.

Sem dúvida fiquei incomodado lendo o nome da prefeita de Bananeiras colocada na 91ª posição com relação à percepção de diárias. Sua “farra de diárias” atingiu no ano, R$ 7.780,00(sete mil setecentos e oitenta reais). Tendo viajado a Belém do Pará e depois a Florianópolis para encontro nacional de gestores de assistência social e de turismo, e a Natal, recebeu diárias dentro do que autoriza a Lei Municipal n º 444/09, somando esses eventos despesa de R$ 3.000,00(três mil reais). Resta uma despesa no valor total de R$ 4.780,00 (quatro mil,setecentos e oitenta reais) que, divididos por dez meses, adicionou aos seus ganhos mensais, a quantia de R$ 478,00(quatrocentos e setenta e oito reais). Abordo o assunto por que fiquei constrangido: minha mulher estaria “ engordando” seus subsídios com um adicional financeiros de menos de um salário mínimo. A despesa global com diárias civis dos 223 prefeitos da Paraíba, alcança, segundo a reportagem, cerca de R$1,5 milhão. Segundo o SAGRES, a Justiça Comum chegou a R$ 1,4 milhão, o TCE despendeu R$ 487 mil, a Assembléia R$ 237 e o Ministério Público R$ 697 mil, no mesmo período. Não poderia ser diferente! Todos esses órgãos deslocam servidores e membros para fora de sua sede, tendo eles direito ao ressarcimento de suas despesas. Mas em se tratando de prefeitos, o assunto vira logo um escândalo.

Sempre adotei o costume de dar resposta a todo fato que deixe no ar qualquer suspeita de irregularidade no meu comportamento de homem publico. O mesmo proceder tenho recomendado à prefeita Marta Ramalho de quem sou “assessor afetivo”. Com a sua décima conta de gestora municipal aprovada recentemente pelo TCE, não posso ficar calado quando seu nome é exposto de forma injuriosa, como se algum crime houvesse cometido. Prestar contas corretas é um dever, receber diárias é um direito. Alguém deve um pedido de desculpas aos prefeitos municipais levados à execração pública por usar de um direito que a lei lhes faculta. Quanto a dona Marta, sua despesa é irrisória por que ela não paga a dormida no meu apartamento.
 


A "Farra" de Marta

O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba é pioneiro no Brasil na adoção do processo eletrônico, e antes, despontou na vanguarda da transparência dos gastos públicos, próprios, e dos seus jurisdicionados. A criação do SAGRES possibilitou o acesso de todos a um mundo de informações que, no passado, era privilégio de poucos. O fornecimento de dados colhidos nesse banco, ganha, de imediato, foro de credibilidade, mas, às vezes, se presta ao exagero do noticiário lastreado quase sempre no preconceito contra determinadas despesas ou categoria de gestores. É o caso dos prefeitos municipais, cuja execução dos dispêndios têm sido objeto de ação disciplinadora e de vigilante contenção naquela Corte de Contas.

Exemplo do que afirmo foi o amplo noticiário do ultimo domingo, destacando as despesas com diárias civis beneficiando titulares de mandato executivo municipal. A notíia evidencia uma acusação explícita de que os prefeitos estariam engordando seus subsídios à custas de diárias fictícias. Não há no serviço público detentor de cargo que se desloque, a serviço, sem que se utilize do recebimento de diárias, seja ele prefeito, deputado, ministro, desembargador, procurador ou conselheiro. Mas quando se trata de prefeitos, se generaliza a suspeita e se expõem os nomes na imprensa como se houvessem cometido um crime hediondo.

Sem dúvida fiquei incomodado lendo o nome da prefeita de Bananeiras colocada na 91ª posição com relação à percepção de diárias. Sua “farra de diárias” atingiu no ano, R$ 7.780,00(sete mil setecentos e oitenta reais). Tendo viajado a Belém do Pará e depois a Florianópolis para encontro nacional de gestores de assistência social e de turismo, e a Natal, recebeu diárias dentro do que autoriza a Lei Municipal n º 444/09, somando esses eventos despesa de R$ 3.000,00(três mil reais). Resta uma despesa no valor total de R$ 4.780,00 (quatro mil,setecentos e oitenta reais) que, divididos por dez meses, adicionou aos seus ganhos mensais, a quantia de R$ 478,00(quatrocentos e setenta e oito reais). Abordo o assunto por que fiquei constrangido: minha mulher estaria “ engordando” seus subsídios com um adicional financeiros de menos de um salário mínimo. A despesa global com diárias civis dos 223 prefeitos da Paraíba, alcança, segundo a reportagem, cerca de R$1,5 milhão. Segundo o SAGRES, a Justiça Comum chegou a R$ 1,4 milhão, o TCE despendeu R$ 487 mil, a Assembléia R$ 237 e o Ministério Público R$ 697 mil, no mesmo período. Não poderia ser diferente! Todos esses órgãos deslocam servidores e membros para fora de sua sede, tendo eles direito ao ressarcimento de suas despesas. Mas em se tratando de prefeitos, o assunto vira logo um escândalo.

Sempre adotei o costume de dar resposta a todo fato que deixe no ar qualquer suspeita de irregularidade no meu comportamento de homem publico. O mesmo proceder tenho recomendado à prefeita Marta Ramalho de quem sou “assessor afetivo”. Com a sua décima conta de gestora municipal aprovada recentemente pelo TCE, não posso ficar calado quando seu nome é exposto de forma injuriosa, como se algum crime houvesse cometido. Prestar contas corretas é um dever, receber diárias é um direito. Alguém deve um pedido de desculpas aos prefeitos municipais levados à execração pública por usar de um direito que a lei lhes faculta. Quanto a dona Marta, sua despesa é irrisória por que ela não paga a dormida no meu apartamento.
 


Transparência

O senador João Capiberibe era prefeito em uma cidade do Acre, e um belo dia, teve a idéia: por que não colocar na frente da prefeitura, em um quadro negro, todas as receitas e despesas do Município? E assim foi feito, conta ele. Antes que me esqueça, esse Senador acaba de tomar posse com atraso, em virtude da Lei da Ficha Limpa, acusado de comprar votos. Coisas deste nosso Brasil.

A esposa do senador é a deputada federal Janete Capiberibe, igualmente atingida pela lei eleitoral e co-autora, juntamente com o marido, da Lei 131/2009, a conhecida Lei da Transparência ou Lei Capiberibe, que, em resumo, determina: de agora em diante, todos os órgãos, de todas as esferas, e todos os poderes, são obrigados a publicar na internet como usam o dinheiro do contribuinte.

Deixando à parte a história da familia Capiberibe e de seu infortúnio recente, destaco a sanção pelo governador Ricardo Coutinho de projeto de autoria do deputado oposicionista Vituriano de Abreu que obriga a publicação de contratos firmados pelo poder publico estadual com pessoas jurídicas de direito privado, na sua integralidade. Se voltarmos a um passado não muito distante, lembraria projeto semelhante, de autoria do então deputado Ricardo Coutinho, obrigando o estado a adotar a internet como ferramenta de transparência para divulgação dos atos de gestão. O inquilino do Palácio da Redenção era José Maranhão e o projeto foi vetado.

Mesmo sem uma lei específica, quando secretario do Controle da Despesa Publica mandei fazer o SIGA, com o apoio do então Secretario de Planejamento, Fernando Catão. Por esse sistema foi institucionalizada a publicação de contratos e convênios, em resumo, na rede mundial de computadores. Lembro que, certo dia, o governador Cássio Cunha Lima, a meu pedido, sentou-se na minha cadeira para conhecer o sistema e aprová-lo ou não. Gostou e me disse: pode mandar brasa. E as despesas do Estado começaram a se abrir para o mundo. Hoje, no Portal da Controladoria existem mais detalhes, já sob a égide da lei Capiberibe que, na Paraíba, não fosse o veto de Maranhão, poder-se-ia chamar Lei Ricardo Coutinho, pioneiro no assunto, faça-se justiça.

Na Paraíba hoje, se faltar alguma informação, recorre-se ao Sagres. Esse sistema, com nome de gente e artes do demônio para os que temem a lei, tem evitado até diligencias de auditores, em função da riqueza de detalhes com que informa a sociedade sobre os gastos públicos dos jurisdicionados pelo Tribunal de Contas do Estado. A propósito, enquanto não estão obrigados a colocar na internet o destinos de suas despesas, os municípios poderiam utilizar o Sagres nas suas paginas virtuais. Bastaria um link direcionado para o sítio do TCE.

Não tendo mandato para fazer uma lei, vali-se de uma certidão de casamento que vai completar cinqüenta anos e sugeri essa medida à prefeita de Bananeiras. Os bananeirenses podem chegar mais rapidamente às despesas municipais acessando a pagina da prefeitura: bananeiras.pb.gov.br. A propósito, a pagina hoje registra de 104 mil,328 visitantes do Brasil e do mundo.
 


Personagem da história

Considerar Nelson Coelho, apenas, como testemunha da história, é muito pouco.As histórias que conta no seu mais recente trabalho o envolvem totalmente. É mais personagem do que testemunha. Na cena dos acontecimentos políticos da Paraíba nos últimos cinqüenta anos, como catador de notícia ou como “gato de palácio”, Nelson viu quase tudo. O que não viu lhe contaram, e se não contaram, imaginou, pois o que não lhe falta é a capacidade de perquirir e investigar.De tudo, acumulou um acervo de fatos que ganham em seu livro “Testemunha da Historia” o selo da perpetuidade.


Vinculado a um partido político, não procura demonstrar isenção na sua narrativa.Pelo contrário, destaca sua condição de militante e, por vezes, revela frustrações e decepções com os companheiros de luta aos quais serviu e não foi correspondido como se julgava merecedor. Penitencia-se e se confessa arrependido de alguns momentos em que se deixou vencer pela paixão e defendeu com fúria seus amigos injuriados. Colheu desilusão e vai perpetuar inimizades.


A leitura é interessante e nos faz voltar a um passado recente.Rememora fatos que só mereciam o esquecimento da historia, como o vergonhoso desconvite que o Cabo Branco fez a JK para que participasse do seu carnaval. Os milicos vetaram a presença do ex-presidente cassado, apesar do esforço de Nelson para que o fato fosse contornado pelo Governador Ernani Satyro. Um fato para mim inédito: um segundo atentado à vida de Aloisio Afonso Campos, acontecido em Brasilia e que fez vitima de um balaço a sua secretária. Do hospital, Aloisio se socorre de Raymundo Asfora para as providencias legais e abafamento da mídia.Na ocasião, quem estava com Asfora em um restaurante de Brasilia? Justamente Nelson, que ajudou a acudir a moça.


O testemunho de Nelson Coelho envereda pela sua vida familiar e narra sem meias palavras as dificuldades que enfrentou ao virar oposição.Não esconde por igual sua decepção com os que lhe voltaram as costas naquele momento de sofrimento, negando-lhe uma oportunidade de trabalho. Renova sua fidelidade a José Maranhão mesmo diante da sua negativa de lhe favorecer com um exílio voluntário e remunerado junto a um governo amigo de estado vizinho.No governo a que serviu, se o chefe lhe faltava, os culpados eram Giovanni Meireles e Solon Benevides, nunca o chefe maior. Revela com esse comportamento, um acendrado sentimento de gratidão e de respeito, coisa incomum nos dias de hoje.


Quando aportei no Palácio da Redenção como repórter da Sala de Imprensa. e depois Oficial de Gabinete do Governador Pedro Gondim, Nelson Coelho já estava lá. Eu sai e ele ficou. E como foi difícil tirá-lo de lá...


A união há cem anos

Tenho recebido muitas reclamações pela ausência da coluna social nas páginas de A União.Há quem acredite que as noticias sociais atraem publicidade comercial.A vaidade custa caro, já me disseram. Noto certa resistência na “ creche” que Beth Torres organizou na redação. Os talentosos jornalista saídos da nossa universidade não valorizam a crônica social.Os que faziam A União., no passado, porém, não deixavam passar em branco as datas que marcavam o aniversário de destacados paraibanos.


Assim, em 1º de janeiro de 1911, A União tipografou o seguinte:”Dr. João Lopes Machado.Festas do dia do seu aniversário natalício.....foram ainda servidas finas bebidas.As 11 horas serviram-se finas iguarias, tomando parte na mesa todos os presentes.Terminaram assim as festas do dia primeiro, em regosijo pela passagem da data feliz do aniversario natalício de S. Exc.Dr.João Lopes Machado.Pessoalmente cumprimentaram s.exc.:dr. Pedro Pedrosa, coronel Ignacio Evaristo,dr.Carlos Cavalcanti,desembargadores Caldas Brandão e Heráclito Cavalcanti,drs. Américo Falcão e Xavier Junior, coronel Ernesto Monteiro,drs.Manoel Paiva e Ascendino Cunha...”


Mas o jornal popularizava a noticia e não privilegiava apenas as autoridades com seus registros sociais.Em ANIVERSÁRIOS, se escrevia: “ FAZEM ANNOS HOJE: o nosso talentoso colaborador e dedicado amigo Alcibíades Silva, zeloso contador dos Correios desta Estado...e “ o inteligente menino João Dubeux Moreira, filho do nosso distincto amigo dr.Artur Moreira...”


Sem duvida que à época o jornal era indispensável aos lares paraibanos e não tinha concorrente à altura.Por essa razão, a prestação de serviços era ampla, geral e irrestrita tal qual a anistia de 64. Assim, o jornal avisava aos alunos do Lyceu que “Hoje, as 10 horas do dia serão chamados à prova oral de línguas os estudantes inscriptos para o curso de Pharmacia” (07.03.1911). Por outro lado, pelas nossas páginas, saber-se-ía quais os membros da nossa briosa Policia estariam de serviço:”Serviço de hoje:Ronda à Guarnição-Alferes Elysio.Official de dia no Batalhão-Tenente Ladislau.Auxiliar de Official de Ronda-1º Sargento Francelino.Inferior do dia-2º Sargento Enéas.Comandante da Guarda da Cadeia-3º sargento Juvino”.


Os serviços religiosos eram anunciados regularmente. No dia 18.02.1911, a Santa Casa avisou que “ realizar-se-á amanhã as 7 da tarde, a bênção da imagem de Sant´Anna, que será collocada em um dos nichos do altar mor da Egreja da Santa Casa. A mesa administrativa convida os irmãos para comparecerem a esta solenidade.Haverá após a bênção da imagem, ladainha e benção do S.S. Sacramento com a assistência do preclaro Snr.Bispo,Ex.mo D,Adaucto” .Por outro lado, os eventos que comprometiam os adversários da nossa “religião oficial”, também não eram esquecidos.Assim se publicou:” Depois de commungarem na egreja lutherana Peterrhoff, Russia, 32 pessoas sentiram-se doentes.Descobrio-se depois que tinham ingerido Acido Sulpfurico e chlorato de potassa, em lugar de vinho.Todas ellas vieram a falecer.”


A proteção à saúde também era objeto de prestação de serviços. Foi transcrita noticia da Provincia do Recife, em 1º de janeiro de 1911 que anunciava: “ a acreditada pharmacia Modelo, dos srs.J.B.Guimaraes & Cia, sita a rua Barão de Victoria n.67, recebeu o afamado especifico contra syphilis, o “606” que está sendo vendido sob a denominação de Salvarsan”.


Por fim, destaco mais uma vez Fernando Moura em resposta ao meu pedido de desculpa por incursionar na seara do “Jornal de Hontem:...” Quisera que pudéssemos ampliar preferências e pesquisas para que a história paraibana não ficasse restrita a privilegiados como nós, que podemos dispor do rico acervo da Velhinha para nosso deleite e esclarecimento” .


Ontem, tive acesso a uma primeira proposta de digitalização do nosso arquivo de 118 anos, para disponibilização na rede mundial de computadores, a Net, para os íntimos.


A união há cem anos

 Passando por Ponta de Mato, praia urbana de Cabedelo, foi difícil imaginar como era no passado, exatamente há cem anos. Voltar de lá, deveria ser uma viagem atribulada, razão pela qual A União noticiou em uma de suas colunas: “Já regressou de Ponta do Matto, onde veraneava com a família, o nosso distincto collega desembargador Heráclito Cavalcanti (10.03.1911).Não sei se o Desembargador, que também era chefe político do Partido Republicano voltou das suas férias no trem, pois ali se iniciava o percurso ferroviário que terminava em Independência, hoje Guarabira, e que somente em 1925 chegaria a Bananeiras, após dez anos de escavação do túnel da Serra da Viração( “O trem chegará a Bananeiras nem que seja por debaixo da terra”, profetizara Sólon de Lucena).


Por falar em trem, na mesma edição A União noticia: “ Não podemos deixar sem os nossos encômios a resolução da <<Great Western>> estabelecendo trens diários entre esta capital e o Recife, por este modo facilitando ainda mais as relações commerciaes das duas praças.Com esses trens diariamente também serão servidas as cidades de Itabayana e Campina Grande, havendo para Natal trens 3 vezes por semana. O novo horário entrará em vigor a contar de 13 do corrente(07.03.1911). Como se vê, não é de hoje que o Recife leva os paraibanos às compras.


Na época, as comunicações estavam engatinhando. Nem se imaginava que a internet transformaria nosso mundo em uma aldeia global. O que se comemorava há cem anos era a aplicação da radiotelegrafia nos serviços da Marinha. E à União não escapou o registro na edição de 18.02.1911: “ A applicação da rediotelegraphia vai ser origem de importante transformação nos serviços da Marinha de Guerra, diz-nos um artigo sem assinatura do Chamber´s Journal. Uma instalação radiotelegrafica a bordo de um navio de guerra significa o próximo abandono daquela instituição histórica do que se chama “O Codigo de signaes” livre cuja preparação deu grande trabalho aos governos e que estes cuidadosamente arrecadam, para prevenir o perigo de indiscrição inconscientes ou interessadas”.


Para quem não sabe, o jornal A União nasceu como Órgam do Partido Republicano e nas suas páginas, não deixava de exaltar as figuras da agremiação. Assim, o cel. Zé Pereira, obteve elogio especial na edição de 19.02.1911: “ O illustre coronel José Pereira Lima, prestigioso chefe do Partido Republicano em Princeza, tem sido um forte trabalhador pelo progresso da referida localidade.Tendo terminado a construção de um edifício destinado á cadeia publica, o nosso valoroso amigo acaba de edificar um excellente prédio para sede o governo municipal e inaugurar a bela rua denominada dr. João Machado, onde se acham situadas as duas referidas propriedades.,”
Com o perdão de Fernando Moura por haver incursionado pelo seu Jornal de Hontem, confesso a minha atração pelo passado e pelos arquivos de A União que sonho em oferecer aos navegantes da internet. Aliás, tenho preferido escrever sobre fatos pretéritos.Até por que, os personagens não podem reclamar...


Só se perde o que se tem

 O PMDB da Paraíba está a lamentar por que perdeu um Senador.Só se perde o que se tem. Essa cadeira nunca foi dele. Estava ocupada, provisoriamente, em função de uma legislação pouco explicada, que, no nosso caso, serviu para contrariar a vontade de mais de um milhão de eleitores. Não se pode negar que o diplomado e empossado ocupou espaços generosos no colegiado. Seu partido encarregou-se de agregá-lo a posições de destaque, até para tornar mais difícil a sua destituição. Tudo foi em vão.Prevaleceu a lei e a vontade popular.


Testemunhei no domingo em Campina Grande a alegria com que os conterrâneos de Cássio Cunha Lima o receberam. Com a posse do novo Senador a cidade ocupa duas cadeiras no Senado Federal, fato inédito na sua história.Uma delas foi conquistada por Vital do Rego Filho, o segundo colocado nas urnas.De pequena estatura, agigantou-se na ultima semana quando enfrentou as poderosas bancadas dos produtores de petróleo.Era a Paraíba falando como Argemiro na defesa do nordeste. Que as querelas da serra não os impeçam de se unir em defesa da pequenina e heróica.


Cássio, um guerreiro abatido em pleno vôo, mesmo considerando-se injustiçado, não se entregou ao desespero. Lutou com as armas ao seu alcance e não se acomodou.Entre outras ações, tomou para si a tarefa de trazer para nosso estado uma unidade da AACD,entidade que cuida de crianças com deficiências físicas. Foi ao governador Ricardo Coutinho onde encontrou apoio. Bateu à porta do seu adversário Veneziano Vital e foi ouvido. A união de todos serviu de lição para futuras batalhas. Juntos, os paraibanos são invencíveis. O resultado foi positivo e Campina ganhará uma AACD para alegria de mães que sofrem a ausência de uma entidade que possa minorar o sofrimento de filhos que Deus botou no mundo sem a perfeição dos pais.


Para quem promete fazer deste, “o mandato da sua vida”, Cássio chegará no Senado em boa hora. Antigamente se dizia que para ser senador era preciso já ter feito três operações: cataratas, próstata e hemorróidas.O Senado era uma festa para os geriatras. Hoje não. Uma bancada de menudos domina a cena. Os caras pintadas chegaram lá. A juventude de Cássio vai se somar a Lindemberg Farias, um paraibano emprestado aos cariocas que, juntos com Cícero Lucena e Vitalzinho, formam a maior bancada da federação.


É esse o cenário de hoje. O PMDB estava viciado em ocupar cargos contra a vontade do povo.Não perdeu nada. O Supremo apenas legitimou a representação da Paraíba no Senado e validou o nosso voto. Amém!


O crime de Rachel

Eu não conheço a moça mas no vídeo sei que se mostra um bela mulher. O seu visual, apenas, não lhe daria o espaço que conquistou, quer no ambiente televisivo local, e agora, no nacional. O nome dela é Rachel e o sobrenome de difícil pronúncia é uma verdadeira sopa de letras com mais consoantes que vogais.

Antes de ganhar a telinha, segundo li, a bela do SBT prestou concurso público e garantiu seu futuro em um emprego estável no nosso Tribunal de Justiça. A televisão não perdoa a idade, principalmente, nas mulheres. Na rede onde trabalha, o dono desafia a ordem natural das coisas, permanecendo o mesmo camelô do passado, mesmo tendo que se desfazer de alguns bens para manter o principal. Permanece jovial depois dos oitenta. A nossa Rachel, ao investir no serviço publico, pensava na efemeridade que caracteriza a vida artística.

Mas Rachel cometeu um crime. Resolveu crescer e se projetar na televisão a nível nacional.E por estas bandas, ninguém perdoa o sucesso alheio. Outro dia me referi a essa moléstia paraibana quando tratei da campanha movida contra destacado empresário que ousou crescer demais aos olhos dos que não tiveram a competência para fazê-lo. E Rachel foi condenada publicamente, seu nome ocupou espaço ao lado de ímprobos como se fosse um deles. Qual a razão disso tudo?

A servidora pública Rachel, antes de se firmar no cenário televisivo do sul maravilha, resolveu usar dos direitos que a lei lhe confere e se afastou do emprego enquanto adaptava-se lá fora Tirou as suas merecidas férias. Contando mais de dez anos de serviço ininterrupto, tem direito a licença prêmio que corresponde a seis meses de descanso remunerado. Parcelou esse premio em duas etapas e, finalmente, resolveu utilizar o ultimo período de férias a que tinha direito.

Terminadas as férias, deverá voltar ao expediente normal na Paraiba. Caso contrário, pode ainda e tem todo o direito, requerer, por dois anos, uma licença sem vencimentos. A partir de então, já com sua carreira sedimentada na área de comunicação, pode se desfazer do emprego público e exercer apenas a atividade televisiva.Fica a sugestão.

Enquanto isso, minha gente, não se dê à nossa bela apresentadora o tratamento dispensado a quem cometeu um deslize funcional e, por outro lado, não se acuse graciosamente o órgão empregador, que, apenas, reconheceu o direito de sua servidora. Que possa a nossa Rachel Sheherezade figurar na mesma constelação de Elba Ramalho, Marcela Cartaxo , Mayana Neiva, Renata Arruda e Diana Miranda, para lembrar apenas essas mulheres que me têm dado um orgulho danado de ser paraibano.


De volta passado

Depois de muitos anos voltei ao ambiente que povoou um período da minha infância. A propriedade pertence hoje a Joca Targino, filho de Antonio Targino Leão, mais conhecido como Antonio Serafim, primeiro vice-prefeito de Borborema, eleito juntamente com o meu pai Arlindo Ramalho, o prefeito. A residência de hoje abrigou no passado um Hospital especializado no combate à bouba, sob a direção do cientista Arnaldo Tavares. A doença, cujo desenvolvimento se assemelha ao da sífilis, afligia um contingente de quinhentos milhões de pessoas na America, África, Ásia e Oceania. A Organização Mundial da Saúde entre os anos 1954 e 1963 encetou campanha visando erradicar essa enfermidade tropical chegando quase a aniquilá-la, não fosse o seu ressurgimento recente já com um público de cinqüenta milhões atingido pelo mal. Borborema era um foco da moléstia que atinge principalmente populações rurais. Em função dessa constatação ali se instalou um hospital entregue a Arnaldo Tavares, depois escritor,poeta, desenhista e um dos fundadores da Faculdade de Medicina da Paraíba.


Era de Arnaldo Tavares o primeiro automóvel em que entrei para uma viagem, se não me engano, até Areia, junto com seus filhos Sergio e Zezinho.Nas suas mãos, vi uma maquina fotográfica e, para espanto da época, uma filmadora com que documentava seus momentos de lazer, mas usada permanentemente para registrar seu meritório trabalho de combate à bouba(doença infecciosa que atinge a pele, ossos e cartilagens,causada por uma bactéria e transmitida pelo contato físico).


Médico especialista em doenças da pele, chequei a lhe procurar em sua casa, onde atendia a clientes depois de identificados por sua esposa, dona Otaviana. Segundo dizem,àquela altura, ela também fiscalizava suas receitas, já que, como filosofo e poeta, nunca valorizou dinheiro ou patrimônio. ~Fique tranqüilo, isso ai não é câncer~! Me disse, após exame superficial de uma irritação na face.


Quando já deslocara sua família para a Capital,ainda nos anos cinqüenta, Arnaldo Tavares passou a ser hóspede de meus pais,em Borborema, deixando seu nome incorporado à história da cidade, ainda hoje, a lhe dever uma homenagem.


Da sua convivência na cidade me lembro pouco.Meu pai costumava referenciar uma habilidade do médico que, hoje, avalio como indicativo do futuro desenhista: “Ele faz uma circunferência com o lápis e coloca o ponto no centro”, admirava-se meu pai que o tinha em grande estima.


Revivi todos esses fatos enquanto sob o pálio de arvores frondosas e de feérica iluminação,um grupo de amigos se reuniu para “bebemorar” o meu aniversario e o do dono da casa. A alegria reinou naquele ambiente cujo passado de dor seria esquecido, não fosse a minha memória, que, graças a Deus, permanece bem viva.


“Governo é prá sofrer...”

A Paraíba em um passado recente tinha o seu cenário político povoado por algumas figuras populares que freqüentavam não somente as solenidade oficiais, como a própria sede do Governo, tornando suas presenças, às vezes incômodas, impostas ao ambiente.


Carbureto, made in Campina, invenção dos gaudêncios, reinou no período de Ernani Satyro, convivendo em desarmonia com Caixa D’Água, o poeta de “minha mãe se abruma” e Mocidade, mais inteligente que todos, orador inflamado, herdado de João Agripino que nutria por ele uma forte simpatia. Essa predileção por Mocidade levou-o a permitir sua hospedagem nos fundos da residência oficial, no final do Cabo Branco. Além disso recebia uma pensão mensal paga pela Loteria do Estado.Mesmo assim, Mocidade era assíduo e contundente nas manifestações contra o Governo. Chamado pelo Governador, injuriado com o seu ingrato procedimento, apenas justificou:


-João, governo é prá sofrer mesmo!


E parlamentar governista também. Aplauso fácil se consegue na oposição. Mas há quem pense que ser governo é só auferir vantagens. Colhe o bônus mas não aceita enfrentar o ônus de ser governista nas horas difíceis.


Quando era Lider do Governo enfrentei inúmeros movimentos populares que ecoavam na Assembleia, perturbando as sessões com a presença de manifestantes nem sempre bem comportados. A vaia era o instrumento menos agressivo utilizado. Da tribuna enfrentava a turba sem receio. Era minha obrigação como deputado governista sustentar as teses emanadas do governo. Certa feita, servidores públicos invadiram o plenário ultrapassando a barreira da segurança. Ficamos vulneráveis a qualquer manifestação mais violenta. Carlos Dunga me chamou a um canto de parede e me advertiu:


-Você como líder é o alvo desse pessoal. Tá armado? Respondi que não.


Então, ele e Pedro Medeiros passaram a me dar segurança. Sob as vaias de professores em greve,olhei para as galerias e desafiei:


-Essas vaias não devem partir de professores. Os mestres são educados e passam boas lições aos seus alunos. Essa gente que grita e esperneia deve ter sido recrutada em redutos menos respeitáveis que a sala de aula.
A gritaria aumentou. Nem eu ou qualquer membro da bancada governista mudamos de posição pressionados pelo histerismo da manifestação.


Hoje ainda há parlamentares que se mantêm conscientes do seu papel. Sejam governo ou oposição. Mas há também quem quebre os compromissos ao menor ruído contestatório das galerias. Estes falam com um olho na plateia e outro na câmera de TV. Basta que o apupo lhe alcance, ele muda o voto e sela compromisso com a torcida organizada. Conheci um, que dele se dizia: é fraco indo e voltando...