LEMBRANDO LOURIVAL CAETANO

Sob os auspícios do Instituto Histórico de Bayeux, Vanildo de Brito Caetano resolveu perenizar em livro, a vida e obra de seu pai, Lourival Caetano de Lima, a maior liderança política que aquela cidade conheceu. Fui seu admirador e ele, um dia, me honrou como meu eleitor. Conheci Lourival como companheiro de bancada na Assembléia Legislativa da Paraíba. Eu na ARENA e ele no MDB. Naquelas eleições de 1978 ele conquistara sua cadeira parlamentar com 10.224 votos.Obtive trezentos votos a mais, todavia, fui traído pela legenda altíssima que me deixou na primeira suplência. Assumi no início do Governo Burity e, a partir de então, pude desfrutar a salutar convivência desse idolatrado líder bayeuxense. Lourival Caetano não nasceu político, mas nasceu para a política. Iniciado no comércio de pães, bolachas e biscoitos, curtido nas madrugadas do forno à lenha da Padaria São Francisco, de lá foi requisitado pelo deputado Heraldo Gadelha para a política partidária. De vereador em Santa Rita, então sede do município onde se inseria o reduto eleitoral de Bayeux, chegou à vice-prefeito e assumiu o cargo por um bom período, substituindo o titular Antonio Teixeira, afastado para ser candidato a deputado estadual. Essa vinculação o impediu de ser o primeiro prefeito da nascente cidade de Bayeux. Seu candidato perdeu por poucos votos. Era o ano de 1960 e nessa eleição a Paraíba elegeu Pedro Gondim governador e Janio Quadros, presidente da República. Na eleição seguinte, não houve quem segurasse o Louro.Tomou posse como prefeito em janeiro de 1965. Estava implantada a sua hegemonia política na antiga Barreiras, nome arquivado pelo interventor Rui Carneiro quando resolveu homenagear Bayeux,a primeira cidade francesa da Normandia libertada pelas tropas aliadas na Segunda Guerra. A partir das raízes fincadas em obras e em um tratamento humanitário dedicado dia e noite ao seu eleitorado, Lourival colheria sucessivas vitórias. Elegeu seu sucessor em 1968, voltou em 1972 à prefeitura e obteve um feito inédito: elegeu sua esposa, Severina Freire de Melo, a popular Dona Niná sua sucessora, na eleição de 1976. A inexistência de vinculo civil entre ambos tornou isso possível. Quando quis repetir a dose e voltar em 1982, a jurisprudência mudara de entendimento e sua candidatura foi impugnada. Era então, deputado estadual, desde 1979. Nem por isso, Lourival deixou de festejar mais uma vitória eleitoral.Elegeu prefeito a Pedro Juvêncio, um bombeiro aposentado que era modesto auxiliar da gestão de Dona Diná.Mas o Louro voltaria mais uma vez a dirigir os destinos de Bayeux ,desta feita, em 1988, quando o povo da sua querida cidade lhe conferiu o ultimo mandato. Na eleição de 1986, com muita honra eu havia recebido o apoio de Lourival Caetano e do prefeito Pedro Juvêncio à minha candidatura a deputado estadual. Caminhando pela cidade, entrando nas casas humildes, subindo em palanques com Lourival, Vanildo, Delson, Dona Niná e tantos amigos seus, pude avaliar melhor o amor que aquela cidade dedicava ao meu antigo colega de Assembléia. Encontrei na sua liderança, traços do meu pai, também um homem do povo, da casa dos seus amigos e compadres e, retribuindo sempre, com amor, os votos que recebia. A cena que Vanildo descreve, com o pai cercado de amigos impedindo uma refeição tranqüila, parece que ocorrera na cozinha da minha casa, com o prefeito Arlindo Ramalho, de Borborema,mandando que puxassem uma cadeira, um tamborete, pois na mesa que come um, comem todos! Faltou a Vanildo descrever, por que não viu, seu pai cercado de populares, atendendo a todos na garagem da Assembléia. Quando eu entrava e via aquela pequena multidão, não precisava ninguém me dizer que Lourival estava no Plenário. Terminada a sessão, ouvia os pleitos, pacientemente e, quando não tinha solução, mandava que entrassem no seu carro e os levava de volta para além da Ponte Sanhauá. Foi esse o Lourival que conheci e ainda hoje guardo na memória. Cabe ao IHB preservar essa história para que sirva de exemplo às futuras gerações.