Coração Sem Aterosclerose: Exemplo Vem Dos Índios

Índios Chimanes (ou Tsimanes), da região amazônica da Bolivia, possuem um coração sadio, mesmo aos 80 anos de idade. Essa é a conclusão a que chegou uma equipe de pesquisadores internacionais que estudou em 85 vilarejos na região dos Andes ao longo de um afluente do rio Amazonas entre 2014 e 2015 os hábitos de vida dessa população e realizou Exames de Tomografia Computadorizada para cálculo do escore de cálcio nas artérias. Os resultados da pesquisa foram publicados recentemente na revista médica “The Lancet”. O estudo mostrou que os Chimanes da America do Sul têm a mais baixa prevalência de aterosclerose coronariana entre todas as populações até hoje pesquisadas no mundo. O índice de calcificação das artérias do coração, sinal de aterosclerose, foram feitos em 705 adultos com idades entre 40 e 94 anos.


Do total, 85% não tinham calcificação, 13% tinham de baixa a moderada taxa de calcificação enquanto apenas 2% possuíam taxas elevadas. Observou-se também que 28% eram fumantes com um consumo médio de dez cigarros por mês e menos de 10% eram obesos. Os Chimanes vivem em condições pré-industriais, não têm acesso a medicina moderna nem a uma infraestrutura de saúde; não utilizam métodos anti-concepcionais, nem tampouco possuem supermercados e nem sequer utilizam eletricidade. Essas tribos vivem de caça, colheita, pescaria e gado e têm uma alimentação com peixes, cervos, paca, tatu, etc., com taxas baixas de gorduras saturadas quando comparados as populações industrializadas do ocidente.


Consomem alto teor de fibras, sem açucares industrializados, embora os carboidratos correspondam a 72% das calorias ingeridas, com arroz, mandioca, milho e frutas. Uma das características diz respeito a atividade física já que passam de 4 a 7 horas ao dia praticando alguma atividade física importante e menos de 10% do seu tempo é de atividade sedentária. Os benefícios parecem ser prolongados porque o estudo mostrou que 2/3 dos indígenas com mais de 75 anos não tinham aterosclerose e esses heptagenários permanecem muito ativos.


Os resultados se tornam interessantes porque mostram que se pode obter prevenção de doenças cardio-vasculares com um bom modo de vida. Uma preocupação que vem surgindo é por conta da introdução de canoas motorizadas e novas estradas feitas nesses últimos cinco anos e que dão acesso a cidades próximas onde existem mercados para compra de açúcar e óleo de cozinha. A história dos índios Pima no Estado do Arizona, Estados Unidos, mostrou os problemas decorrentes da “ocidentalização”dos costumes entre eles: umas das maiores taxas no mundo de obesidade e de diabetes. Esperemos que a história não se repita.


Idosos e Desnutrição Hospitalar

Vários estudos indicam que percentuais expressivos de 30 a 60% de idosos internados em hospitais são portadores de desnutrição. Essa doença invisível atinge milhões de pessoas no Brasil e é particularmente preocupante porque agrava o prognóstico. De fato, ela favorece o desenvolvimento de infecções e de complicações pós-operatórias, retarda a recuperação, prolonga a hospitalização e aumenta o risco de morte. Alguns estudos chegam a demonstrar que a desnutrição diminui pela metade a expectativa de vida em portadores de câncer. Mas a desnutrição não chega a ser uma fatalidade já que existem técnicas para estimular o apetite.


Em alguns centros hospitalares todos os pacientes são pesados na internação e na alta hospitalar, uma medida simples, mas nem sempre seguida. Um aspecto negativo diz respeito aos cuidados específicos; muitos hospitais não possuem um número adequado na relação recursos humanos/ paciente. Por outro lado, estudos na França mostram que cerca de 40% de idosos são hospitalizados por uma consequência da desnutrição, sendo as situações mais comuns a infecção urinária, a septicemia e as quedas. Contrariamente ao pensamento comum, uma pessoa com mais de 70 anos deve se alimentar em calorias tanto quanto um adulto mais jovem.


Além disso, para conservar a massa muscular, que tende a diminuir com o passar do tempo, a necessidade de proteínas torna-se mais importante como também a prática de atividade física, além de se avaliar a necessidade de suplementação de vitamina D. Como assegurar a ingestão calórica quando a saciedade é rápida, o paladar diminui e o olfato praticamente desaparece? Em matéria de apetite, todos os sentidos são necessários. Recente estudo israelense mostrou que a própria apresentação, variedade e arranjo dos alimentos nos pratos de comida chegaram a diminuir em 20% os casos de reinternação, ou seja, o percentual de pessoas que foram novamente internadas por complicações que surgiram menos de 30 dias da alta hospitalar foi significativamente menor quando comparada a apresentação clássica.


A presença de uma nutricionista é indispensável para manter um aporte nutritivo adequado e de qualidade e não modificar na medida do possível os hábitos alimentares. Não raras vezes, cuidadores querem impor seus regimes alimentares e isso é contra-produtivo. Deve-se ter como objetivo a manutenção do peso, pois, contrariamente ao que se diz o emagrecimento a partir de determinada idade torna-se um sinal de alerta, ou mesmo de alarme. Por isso, verificar o peso uma vez por mês é uma boa norma a ser seguida. Afinal, temos que evitar aquela espiral negativa que levará à desnutrição e a todas as complicações e comorbidades que a acompanham.
 


Depois das Festas, Dietas "Milagrosas"

O mundo atual tem se caracterizado pelo imediatismo. Muitas pessoas procuram perder peso de forma rápida, seguindo dietas “milagrosas”, às vezes muito restritivas, e que podem comprometer o estado nutricional e a saúde. Nestas festas de fim de ano ganhamos peso porque usualmente utilizamos alimentos calóricos em excesso, bebemos mais álcool e refrigerantes, nos excedemos nas sobremesas, passamos mais horas sentados, reduzimos a atividade física e, em janeiro, com o novo ano, queremos “passar a borracha” em tudo isso. Assim, as dietas milagrosas proliferam, prometendo perda rápida de peso e sem esforço, e normalmente têm como propagandista algum (a) personagem famoso (a). Além do efeito “sanfona”, elas podem trazer consequências nocivas para a saúde.


Na maioria das vezes são dietas não equilibradas que podem causar problemas no metabolismo orgânico, na função renal, ocasionando deficiências vitamínicas, queda de cabelos, entre outros efeitos nocivos. Temos de ter em conta que a obesidade é um problema crônico e seu tratamento implica em mudança de estilo de vida programada e progressiva em longo prazo, e para isso não existem curas ou medicamentos milagrosos. As dietas não equilibradas e restritivas não possuem fundamentação científica e o abandono delas favorece uma recuperação muito rápida do peso perdido, o que não deixa de ser um transtorno para o organismo. Ultimamente, a dieta conhecida como Dieta do Açucar vem sendo seguida por muitas pessoas.


Ela propõe evitar todo tipo de açúcar, o que pode gerar confusão. Claro que reduzir o consumo de açúcar comum e de produtos que o contenham é muito positivo. No entanto, reduzir o consumo de alimentos naturais como frutas, verduras e hortaliças ou alimentos lácteos por conta da presença de glicose, frutose ou lactose, pode ser prejudicial para a saúde. Substituir o açúcar comum por preparados ditos naturais, mas que contem açúcar parece ser uma autentica contradição. A restrição de hidratos de carbono pela redução de cereais, legumes, verduras e frutas, pode levar a uma rápida perda de peso, fundamentalmente a expensas de líquido extracelular, mas também a perdas de cálcio, potássio e outras vitaminas e sais minerais.


Manter uma dieta desse tipo por longo prazo pode acarretar importantes consequências para a saúde como dano cerebral, hepático e renal, transtornos do metabolismo das gorduras, osteoporose e constipação intestinal. Temos que lembrar que muitas dietas hipocalóricas levam a perda de peso a custas do tecido muscular e não tanto do tecido adiposo. O retorno progressivo a alimentação habitual leva ao reganho de peso a expensas de agua e gordura, e muita da massa muscular perdida não é recuperada. Esta perda de músculo leva a uma readaptação do metabolismo energético cuja necessidade de calorias diminui, o que justifica expressões frequentes como “cada vez como menos e engordo mais”. Por tudo isso, para controlar o peso é eficaz manter uma alimentação saudável, realizar atividade física, ser vigilante na ingestão alcoólica e saber que ter um descanso noturno é salutar, pois favorece a saúde cardiovascular.
 


Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido também pela sigla TDAH, é uma afecção conhecida desde o século 19, mas que só há poucas décadas chamou a atenção da comunidade cientifica e da sociedade em geral. Trata-se de um distúrbio neurobiológico caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, com predisposição genética e que aparece na infância, mas pode acompanhar a pessoa durante toda a vida. A hiperatividade está ligada a motricidade, ou seja, aos movimentos, mostrando uma criança agitada e inquieta.


Por seu turno, a impulsividade se caracteriza pelo “agir sem pensar”. São crianças que podem sofrer mais acidentes, pois são mais intempestivas, não costumam ter paciência, interrompem as falas das pessoas, independentemente da boa educação que recebem, sendo estes sintomas observados também nos adolescentes e adultos. Assim, as queixas das crianças e dos adultos podem ser as mesmas: distração, dificuldade para concentrar-se, rendimento nas atividades diárias prejudicado e impulsividade. Tipicamente, agem sem pensar e se arrependem do que fizeram.


O TDAH afeta entre 3 a 5% da população escolar e adulta e, em crianças entre 1 a 3 anos, se traduz pela variação temperamental, impulsividade e adaptação social limitada; a criança não obedece, não respeita as normas e pode ter alterações do sono, da linguagem e até do desenvolvimento motor. Nos pré-escolares, entre 3 a 6 anos, se observa uma “inquietação motora”, déficit de desenvolvimento, conduta desafiante, problemas de adaptação social, acidentes e dificuldades escolares. Entre os 6 e 12 anos aumenta a procura por assistência médica e se dispõe de melhores evidências cientificas tanto para o diagnóstico como para o tratamento, pois os sintomas ficam mais claros.


Na adolescência pode diminuir a hiperatividade, mas se mantém a inquietação e a impaciência, sendo freqüentes as dificuldades acadêmicas e a baixa auto-estima, assim como problemas familiares e aumento de condutas de risco , como o consumo de drogas. Os estudos do TDAH consagrados aos adultos são mais raros. De um modo geral, o diagnóstico e tratamento podem envolver o pediatra, o neurologista, o psicólogo e às vezes o psiquiatra. Muitos adultos com TDAH desenvolvem algumas técnicas para lidar com as próprias dificuldades. A terapia medicamentosa associada à abordagem psicoterápica e medidas pedagógicas e comportamentais ajuda a controlar a doença.
 


14 de Novembro: Dia Mundial do Diabetes

Embora o Diabetes possa ser prevenido, diagnosticado e tratado, a epidemia dessa afecção progride rapidamente em todo o mundo. Em 2014, 422 milhões de pessoas eram portadoras de diabetes, enquanto em 1980 eram 107 milhões. Esse Dia Mundial do Diabetes tem por finalidade sensibilizar os vários setores da sociedade alertando para a prevenção, reforçando os cuidados do tratamento e intensificando o monitoramento. Afinal, só no Brasil, o Diabetes foi responsável por cerca de 5 milhões de mortes em 2015 e estima-se que, atualmente, existam em torno de 14 milhões de diabéticos no país.


Nesse sentido, o diabetes é um grave problema de saúde pública se considerarmos o número crescente de pessoas acometidas e os riscos a que estão sujeitas, levando a enormes custos tanto humanos como econômicos. Apesar de ser uma doença conhecida há mais de 4 mil anos, só em 1921, portanto há menos de 100 anos, foi que tivemos o primeiro tratamento medicamentoso com a descoberta da insulina no Canadá por Best e Banting. Por essa descoberta foram laureados com o Prêmio Nobel de Medicina. O tratamento oral (comprimidos) foi introduzido com algum sucesso apenas na década de 1950.


Ou seja, durante séculos não havia tratamento medicamentoso para o diabetes e os pacientes eram submetidos basicamente a regimes dietéticos severos. No caso dos diabéticos que necessitavam de insulina, pela sua inexistência, em questão de semanas ou meses, ocorria o êxito letal. Atualmente dispomos de vários tipos de insulinas e de outras substâncias injetáveis, e de inúmeras classes de comprimidos para tratamento oral. Nas crianças e adolescentes – usualmente diagnosticadas como diabetes Tipo 1 – o diabetes surge de forma abrupta e com uma rica sintomatologia: tomar água em excesso, urinar muito e perda de peso repentina; nesses casos, é obrigatório o uso da insulina.


No adulto, particularmente depois de 30-40 anos de idade, geralmente obeso, o que caracteriza o diabetes Tipo 2, a doença pode progredir sem sintomatologia, ou seja, silenciosamente e, muitas vezes, é diagnosticada quando ocorrem complicações nos olhos (retinopatia), vasos (aterosclerose), rins (nefropatia), ou nervos (neuropatia), situações que interferem negativamente com a qualidade de vida. Por isso, é uma das principais causas de cegueira, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e amputação de membros inferiores.


O diagnóstico é feito quando a glicemia de jejum for igual ou superior a 126 mg/dL, embora uma glicemia ao acaso e com sintomas evidentes for igual ou superior a 200 mg/dL também leve ao diagnóstico. A maior parte dos diabéticos é do Tipo 2 (90%) e geralmente são obesos, sedentários e de hábitos alimentares inapropriados. Por isso, o passo inicial para um tratamento eficaz leva em conta a mudança de hábitos alimentares com refeições regulares e equilibradas, a prática de atividade física, seguir a prescrição médica, não fumar e evitar bebidas alcoólicas. Dessa forma terá uma vida saudável, evitando as complicações crônicas e desenvolvendo as habilidades para um bom equilíbrio físico e mental.
 


Limites da Vida Humana

A luta do ser humano contra a morte é provavelmente tão antiga quanto a própria existência do homem. Essa ultima fragilidade humana vem sendo enfrentada por incalculáveis intervenções que procuram enfraquecer a morte. O organismo humano, mesmo sendo uma unidade, apresenta diferentes capacidades de reparação e de regeneração que permitem que lute contra as agressões exteriores e interiores. Mas as células do nosso corpo não possuem a mesma longevidade já que esta pode variar segundo o tecido e o órgão a que pertencem

Ou seja, uma célula tem uma duração de vida limitada no seu ciclo constante de renovação: 3 a 4 semanas para a pele; 120 dias para os glóbulos sanguíneos (hemácias); 400 a 500 dias para as células do fígado e do pulmão; 5 dias para as do intestino; 6 anos (homem) e 3 anos (mulher) para os cabelos; 7 a 10 anos para o esqueleto, etc. Desde o século XIX a expectativa de vida vem aumentando graças a melhorias na saúde pública, a dieta e ao meio ambiente, entre outros fatores. Durante o século XX continuou aumentando de maneira constante, levando ao pensamento de que a longevidade poderia continuar ascendente.

No entanto, nas ultimas décadas foi constatado que a taxa de sobrevida diminuiu rapidamente a partir dos 100 anos de idade. Recentemente, pesquisadores do “Albert Einstein College of Medicine” de Nova York asseguraram que o limite da longevidade humana já tenha sido alcançado e, segundo eles, a vida do “Homo sapiens” poderia ter um limite natural em torno de 115 anos. Analisaram os dados da idade máxima no momento da morte e observaram os registros de pessoas que haviam vivido 100 anos ou mais entre 1968 e 2006 em quatro países com o maior número de indivíduos longevos (Estados Unidos, França, Japão e Grã-Bretanha).

A Idade desses “super-centenários” aumentou rapidamente entre 1970 e princípios de 1990, porem alcançou um platô em 1997, ano em que faleceu a francesa Jeanne Calment aos 122 anos de idade, a pessoa que alcançou a idade máxima documentada na história. Existem pensamentos contrários a pesquisa americana, mas, tudo indica que o progresso contra as doenças crônicas e infecciosas pode continuar aumentando a expectativa de vida média, mas não o máximo do tempo de vida. Por fim, os pesquisadores opinam que os recursos que se gastam atualmente para aumentar a expectativa de vida poderiam ser destinados a melhorar a atenção sanitária que se presta aos anciãos e a uma melhor qualidade de vida no ocaso da existência.
 


Aducanumab

Coluna Saúde – João Modesto Filho


ALZHEIMER: ANTICORPO EXPERIMENTAL É PROMISSOR


A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neuro-degenerativa em pessoas de idade cuja causa permanece desconhecida. Trata-se de um processo lento e insidiosos que progride durante cerca de vinte anos sem causar sintomas. A demência, sua manifestação mais visível, é a fase final de um processo iniciado décadas antes. Assim, é uma afecção de jovens que se manifesta em pessoas de mais idade. O tratamento permanece insatisfatório e inúmeros estudos mostram depósito de substância amilóide no cérebro.


Em estudos experimentais, um anticorpo monoclonal anti-amilóide - aducanumab –, teve efeito tanto na redução de placas amilóide no cérebro como no declínio cognitivo em pacientes em estágio precoce da doença. Essa substância foi desenvolvida a partir de um anticorpo que o próprio corpo humano produz contra acúmulos da proteína amilóide. Os resultados iniciais são encorajadores porque a maior parte dos medicamentos dessa classe têm se revelado inoperantes. Um pequeno estudo americano que envolveu 165 pacientes, com média de idade de 72 anos, publicado na revista “Nature”, mostrou que o aducanumab administrado por via endovenosa uma vez por mês durante um ano fazia desaparecer as placas amilóides e lentificava o declínio cognitivo.


Estudos anteriores com outro anticorpo monoclonal anti-amilóide – solanezumab – mostrou efeito sobre o declínio cognitivo numa forma pouco avançada da doença, mas sem ter efeito sobre as placas amilóides. Os estudos com solanezumab estão em fases mais avançadas e uma pesquisa confirmatória será divulgada possivelmente em dezembro deste ano. Para o aducanumab, a eficácia não está comprovada, pois, esse pequeno estudo foi desenhado para detectar o efeito farmacológico sobre os níveis de beta-amilóide no cérebro. Como a pesquisa não tinha sinalização para detectar resultados clínicos, os dados cognitivos devem ser interpretados com cautela.


No entanto, o estudo reforça a chamada hipótese amilóde, que é controversa, e segundo a qual o Alzheimer se desencadeia por acúmulos anômalos de proteína amilóide no cérebro. Assim, se a hipótese amilóide estiver correta, uma substância capaz de prevenir ou eliminar acúmulos dessa proteína no cérebro deveria ser capaz de impedir a progressão da enfermidade se administrada em fases precoces do processo. Isto é o que se observa pela primeira vez com o aducanumab. Por fim, dois grandes estudos de fase III foram iniciados em 300 centros de 20 países da America do Norte, Europa e Ásia e dos resultados encontrados poderemos ter uma nova abordagem para tratamento da Doença de Alzheimer.
 


Bebida Açucarada ou Light Aumenta Risco de Síndrome Metabólica

A Síndrome Metabólica é definida como um conjunto de fatores de risco: obesidade abdominal, hipertensão arterial, níveis baixos de colesterol HDL (o colesterol “bom”) e níveis elevados de triglicerídeos e de glicose no sangue, além do aumento da circunferência abdominal. Calcula-se que 25% de adultos dos países desenvolvidos apresentem esse transtorno. Pessoas com Síndrome Metabólica têm duas vezes mais risco de falecer de um ataque cardíaco ou de uma embolia cerebral.


Nos últimos anos, tem-se relacionado o consumo excessivo desse tipo de bebida com maior risco de sobrepeso, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e, inclusive, alguns tipos de câncer. Por outro lado, poucos estudos têm relacionado esta Síndrome com o consumo de bebidas “light” ou “diet”, até porque as pessoas que ingerem esses produtos podem ter mais cuidado com a alimentação. Em geral, pensa-se que sucos de frutas são uma opção mais saudável já que contem vitaminas e sais minerais, mas aqui também são poucos os estudos que analisaram seu efeito sobre o metabolismo.


Há poucos dias, na revista “Journal of Nutrition”, foram publicados os resultados de uma pesquisa espanhola que mostrou que pessoas que consomem mais de cinco latas por semana de bebidas açucaradas e bebidas com adoçantes apresentam, respectivamente, 43% e 74% maior risco de desenvolver a Síndrome Metabólica, em relação aqueles que consomem menos de uma lata por semana. A pesquisa demonstrou ainda que o consumo elevado de sucos de frutas naturais e industrializadas aumentam o risco de padecer desta Síndrome. No caso das bebidas açucaradas, seu consumo freqüente, de mais de cinco latas por semana, aumenta em 9% o risco de se ter hipertensão arterial e apresentar níveis baixos de colesterol HDL.


No tocante as bebidas “light” e “diet”, os sucos de frutas naturais se associam a um maior risco de adquirir obesidade abdominal. Em comparação com pessoas que raramente consomem sucos de frutas engarrafados e bebidas light, numa quantidade de ao menos cinco vezes por semana, as que o fazem apresentam maior risco de elevação de triglicerídeos. Os resultados reforçam a hipótese de que as bebidas açucaradas ou edulcoradas e os sucos de fruta deveriam estar na cúpula da pirâmide nutricional e que deve se recomendar a redução de seu consumo, já que beber mais de cinco latas por semana se associa com o desenvolvimento da Síndrome Metabólica e as alterações que a acompanham.
 


Epidemia da Obesidade

O maior estudo sobre obesidade já realizado até hoje foi publicado na revista médica “The Lancet” e mostrou que 2.1 bilhões de pessoas em todo o mundo tinham peso em excesso em 2014. Isso representa 30% da população mundial, das quais 641 milhões de pessoas são portadoras de obesidade. É a cifra mais alta já registrada na história. Para obter esses dados, os mais de 700 pesquisadores em diversas partes do mundo avaliaram as medidas de peso e altura de quase 20 milhões de adultos em 186 países.


O estudo foi liderado por cientistas do “Imperial College” de Londres, em parceria com a OMS. Depois de calcularem o índice de Massa Corporal (IMC) de homens e mulheres, entre 1975 e 2014, encontraram que em quatro décadas a obesidade global entre os homens triplicou, passando de 3.2% em 1975 para 10.8% em 2014. Nas mulheres, mais que duplicou, passando de 6.4% para 14,9%. A tradução disso é que 266 milhões de homens e 375 milhões de mulheres eram obesos em 2014. No geral, houve um aumento de 1.5 kg por cada década subseqüente desde 1975.


Foi estimado também que 2.3% dos homens e 5% das mulheres em todo o mundo padeciam de obesidade severa já que o IMC superou 35 kg/m². Este segmento da população apresenta um risco significativamente maior de desenvolver doenças como diabetes, enfermidades cardiovasculares e câncer. Os pesquisadores predizem que, caso continuem essas tendências globais, 18% dos homens e 21% das mulheres serão obesas em 2025. No que diz respeito a obesidade severa, os Estados Unidos seguem ocupando o primeiro lugar. Com relação à obesidade mórbida, considerada quando o excesso de peso interfere com funções físicas básicas como respirar e caminhar estimou-se que atualmente afeta cerca de 1% dos homens e 2% das mulheres.


E quanto ao nosso país? No estudo global, o Brasil ocupou o quinto lugar, depois da China, Estados Unidos, Índia e Rússia e, nos homens, saiu do 10º lugar para o 3º, enquanto as mulheres foram do 9º para o 5º lugar entre 1975 e 2014. A pesquisa também examinou o número de pessoas com baixo peso em diferentes países e os resultados revelaram que os níveis diminuíram de 14% para 9% nos homens e de 15% para 10% nas mulheres. Em países como Índia e Bangladesh são encontrados os maiores percentuais de baixo peso – em Bangladesh quase 25% dos adultos têm baixo peso. Em suma, enquanto ganhamos a batalha contra o peso inferior ao normal, estamos perdendo a batalha contra a obesidade.
 


Infartados São Cada Vez Mais Jovens e Mais Obesos

Embora tenhamos uma maior compreensão dos fatores de risco de doenças cardíacas e a necessidade de mudanças de estilo de vida, os pacientes que estão sendo acometidos pelo tipo mais grave de ataque cardíaco são cada vez mais jovens e mais obesos. Além disso, apresentam maiores probabilidades de terem fatores de risco preveníveis como tabagismo, hipertensão arterial, diabetes e doença pulmonar obstrutiva crônica, segundo um estudo a ser apresentado em breve no Congresso Americano de Cardiologia.

Esse novo estudo analisou fatores de risco de doenças cardíacas em mais de 3.900 pacientes que foram tratados de infarto do miocárdio com elevação do segmento ST – o tipo mais grave e mortal de um ataque cardíaco – na Clínica Cleveland, Estados Unidos, entre 1995 e 2014. Um ataque do coração com elevação do ST se produz quando uma das artérias principais do coração é bloqueada totalmente por placas, detendo o fluxo sanguíneo. O atendimento médico imediato pode aumentar as possibilidades de sobrevida, mas esse tipo de acometimento leva a um alto risco de morte e incapacitação. 

Apesar de alguns fatores de risco, como idade e antecedentes familiares serem pertinentes ao próprio indivíduo, muitos outros podem ser reduzidos através de opções de estilo de vida, como praticar atividade física, deixar de fumar e adotar uma dieta saudável para o coração. No estudo, observou-se que a idade do ataque cárdico foi reduzida em 4 anos (de 64 para 60 anos), a prevalência da obesidade aumentou em 9%, os diabéticos passaram de 24% para 31%, a pressão arterial elevada cresceu de 55% para 77% e a proporção de doença pulmonar obstrutiva crônica passou de 5% para 12%.

Um dos achados mais surpreendentes foi a mudança nas taxas de tabagismo na população estudada, que aumentou de 28% para 46%, um achado contrário as tendências dos Estados Unidos, que refletem uma diminuição geral das taxas de tabagismo nos últimos 20 anos. O estudo também revelou um aumento significativo na proporção de pacientes que possuíam três ou mais fatores de risco, que passou de 65% para 85%. Todos esses achados trazem mensagens fortes, tanto para a comunidade médica como para a população em geral.