CÂNCER DE PRÓSTATA, DIAGNÓSTICO PRECOCE E TRATAMENTO

O câncer de próstata permanece em primeiro lugar entre os cânceres diagnosticados no homem. Milhares de novos casos são diagnosticados anualmente. Recente estudo publicado na revista “Journal of Clinical Oncology” sinaliza para a importância da idade de detecção na progressão da doença nos casos de baixo risco. Pesquisadores da “Yale University School of Medicine”, Estados Unidos, mostraram que no caso de câncer de próstata, o melhor é que seja diagnosticado antes dos 60 anos de idade. Certos tipos de câncer de próstata evoluem lentamente e, algumas vezes, durante muitos anos.


Nesse sentido, observaram que entre 1.433 homens com câncer de próstata de baixo a moderado risco diagnosticados antes dos 60 anos, a progressão da doença foi reduzida em 7% durante os cinco anos seguintes, comparativamente aos diagnosticados após os 60 anos (55% sem progressão da afecção antes dos 60 anos contra 48% naqueles com mais de 60. Concluíram que o diagnóstico de câncer de próstata de baixo a moderado risco antes dos 60 anos está associado de forma independente a uma diminuição do risco de progressão da doença nos indivíduos que são monitorados ativamente. Dessa forma, o monitoramento ativo representaria uma estratégia de atenuação de “excesso de tratamento medicamentoso” nos homens abaixo dos 60 anos reduzindo os efeitos secundários que poderiam afetar a sexualidade ou o sistema urinário.


Um outro estudo mostrou que não houve diferença significativa em termos de mortalidade entre pacientes tratados cirurgicamente – prostatectomia – e pacientes que usaram medicamentos. Nesse estudo, um dos objetivos seria retardar a cirurgia radical da próstata e os efeitos indesejáveis que podem surgir quando o acompanhamento pode ser proposto, o tumor é localizado e não provoca sintomas. Entre novembro de 1994 e janeiro de 2002, 731 pacientes com câncer de próstata localizado participaram do estudo e tinham idade média de 67 anos.


Foram distribuídos em dois grupos: prostatectomia radical e observação/monitoramento até agosto de 2014 (12.7 anos em média). Do total, ocorreram 223 mortes (61.3%) entre os 364 homens do grupo da cirurgia e 367 (66.8%) no grupo de observação, ou seja, uma diferença de 5.5% que não foi significativa. No que diz respeito especificamente a mortalidade ligada ao câncer de próstata, os autores encontraram respectivamente 27 (7.4%) e 42 (11.4%) de mortes ou uma diferença não significativa de 4%. Como cada caso é um caso, paciente e médico urologista devem fazer uma minuciosa avaliação para decidir qual a melhor solução a ser tomada.
 


RELOGIO BIOLÓGICO: DESCOBERTA DOS MECANISMOS LEVA A PRÊMIO NOBEL

Os organismos vivos possuem um relógio biológico interno que ajuda na adaptação ao ritmo regular diurno, ou seja, os fenômenos biológicos ocorrem ritmicamente nas mesmas horas do dia. As plantas, os animais e as pessoas sincronizam seus ritmos biológicos com as voltas do planeta Terra. Com uma grande precisão, o relógio interno adapta nossa fisiologia as diferentes fases do dia. Nosso bem-estar é afetado quando existe uma variação temporária entre o ambiente e o relógio interno. Essa variação diuturna da nossa biologia recebe o nome de ritmo circadiano, ou seja, designa o período de aproximadamente 24 horas sobre o qual se baseia o ciclo biológico de quase todos os seres vivos.


Sua descoberta remonta a 1729 com as observações do francês Jean´Jacques d’Ortous de Marian, matemático, astrônomo e geofísico, que observou que as folhas da sensitiva, uma variedade da mimosa, continuava a se abrir e a se fechar num ciclo de 24 horas durante vários dias. Por isso, concluiu que sua regulação provinha provavelmente de um relógio interno que permitia aos seres vivos de se guiar pelo fenômeno astronômico com alternância dos dias e das noites. Já é fato bem conhecido que a regulação do ritmo circadiano tem uma grande influência sobre o bom funcionamento dos organismos vivos, com atividades biológicas cruciais para nossa saúde e nosso bem-estar.


Os três americanos – Jeffrey Hall, Michael Rosbash e Michael Young – ganharam o Prêmio Nobel de Medicina deste ano pelos seus trabalhos sobre o relógio biológico. Utilizaram moscas de fruta (drosofila) como modelo, isolaram um gene que controla o ritmo biológico diário normal e viram que codifica uma proteína que se acumula nas células durante a noite e se degrada durante o dia. Quando há um desajuste temporal entre o ambiente externo e o relógio biológico interno o bem-estar pode ser afetado (por exemplo, “jet lag”). Assim, a mudança rápida de fuso horário é um exemplo da importância desse relógio interno para o comportamento, níveis hormonais, sono, temperatura corporal e metabolismo. Existem sinalizações de que um desajuste crônico entre os hábitos de vida e o ritmo circadiano pode se associar a um maior risco de algumas doenças.
 


O Cérebro e a Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico alemão Alois Alzheimer. É uma doença neuro-degenerativa com deterioração progressiva das capacidades cognitivas que leva a uma perda da autonomia. Entre os sintomas estão esquecimentos repetidos, dificuldades de orientação, problemas de funções executivas (não saber mais como utilizar o celular, por exemplo). São sinais que levam a uma consulta médica e a realização de testes neuro-psicológicos para diagnosticar ou excluir a doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem cerca de 47-50 milhões de pessoas portadores de demências no mundo, sendo que 60 a 70% estão com a Doença de Alzheimer e, a cada ano, se registram 9.9 milhões de novos casos. Na grande maioria, a causa principal não é conhecida e não se sabe porque em algumas pessoas os neurônios começam a se degenerar e outros não, embora essa progressão de acontecimentos, que leva a degenerescência, esteja ficando melhor conhecida.


Por outro lado, muitos estudiosos entendem que essa afecção é fruto de um processo natural do envelhecimento que atingiria todas as pessoas casos vivêssemos 120 anos. Estudos mais recentes identificaram duas proteínas – substâncias químicas que asseguram múltiplas funções cerebrais – conhecidas como “beta amiloide” e “tau”. A primeira é menos conhecida enquanto a segunda está melhor descrita pois tem um papel importante no transporte de diferentes substâncias para o interior dos neurônios. Ambas têm a capacidade de se agregar e as proteínas “beta amiloides” formam placas no interior dos neurônios, enquanto as proteínas “tau” formam verdadeiras emaranhados e ramificações. Usualmente os neurônios dispõem de um sistema de eliminação desses agregados e que funciona bem nos organismos jovens.


Mas à medida que se envelhece esse mecanismo perde eficácia e os agregados terminam por se acumular tanto no interior como no exterior dos neurônios. Ou seja, cada pessoa torna-se vítima da “obsolescência” programada do seu “lixo” neuronal. Ao longo da vida, a produção desses agregados de proteínas se torna mais lenta que sua eliminação e, à partir de certa idade, quando existir mais produção que eliminação, ocorrerá toxidade para os neurônios. Esse processo é capaz de sequestrar substâncias indispensáveis para o bom funcionamento dos neurônios. A idade é o maior fator de risco, segundo a OMS, e se estima que a partir dos 85 anos, uma mulher em cada quatro e um homem em cinco serão atingidos por Alzheimer. Desde os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos. Mas, essa afecção não é considerada apenas como exclusiva do envelhecimento. Ela também existe sob a forma hereditária (1% dos casos), com um aparecimento bem mais precoce, aos 60 anos ou menos. Na forma hereditária, estudos mostram fatores de risco como sedentarismo, obesidade, diabetes descompensada, hipertensão arterial, tabagismo, álcool e ainda alimentação desequilibrada.


Depressão, baixo nível de instrução, isolamento social e ausência de atividade intelectual são igualmente citadas pela OMS como fatores de risco. Frequentemente o diagnóstico é feito tardiamente e se observa que os vasos sanguíneos podem estar mais estreitos fazendo com que menos sangue e menos nutrientes cheguem aos neurônios, favorecendo ainda mais a agregação das proteínas citadas. O diagnóstico vem através de um bom exame clínico, com a realização de vários testes complementados por imagens médicas (PET-scan e Ressonância Magnética) que podem mostrar modificações do cérebro. Alem disso, podem ser realizadas punções lombares para detectar marcadores da doença, analisando a quantidade das proteínas no líquido céfalo-raquideano. Não existe atualmente um tratamento curativo para Alzheimer, embora tenhamos numerosas estratégias terapêuticas em andamento. Alguns medicamentos se propõem a eliminar as lesões cerebrais características, ou seja, as placas amiloides, mas parecem ser ineficazes para sustar o processo. Enfim, ter condições de vida saudável em termos de alimentação e atividades físicas, espirituais e intelectuais é a melhor forma de uma velhice dígna.
 


Café e Risco de Morte

Os efeitos do café sobre a saúde do ser humano é tema de incontáveis pesquisas na literatura médica e apresentam, não raras vezes, opiniões divergentes. Dois novos estudos, um europeu e outro norte-americano, foram recentemente publicados na revista “Annals of Internal Medicine” mostrando que o consumo de café está associado a uma menor mortalidade. O primeiro desses estudos, baseado em dados da pesquisa EPIC (European prospective investigation into câncer and nutrition) abrangeu 521.330 pessoas em 10 países europeus (Grã-Bretanha, França, Italia, Alemanha, Suécia, Países Baixos, Dinamarca, Grécia, Noruega e Espanha).

Os regimes alimentares e, em particular o consumo de café, foram avaliados através de questionários e entrevistas. Observou-se que os consumidores de café eram mais jovens, fumantes, consumidores de álcool, comiam menos frutas e legumes e mais carne do que os não consumidores. Após 16.4 anos de seguimento, 41.693 pessoas morreram e, após ajustes em função de fatores como tabagismo, observou-se que os participantes que bebiam três xícaras ou mais por dia apresentaram benefícios em termos de mortalidade, particularmente para mortalidade devida a doenças digestivas e circulatórias. Esses resultados foram encontrados em todos os 10 países estudados e mais nos homens do que nas mulheres. Por outro lado, nas mulheres um risco aumentado de câncer de ovário esteve associado ao consumo de café.

No estudo norte-americano, foram avaliados os efeitos benéficos para diversas etnias e foram utilizados os dados do estudo MEC (multiethnic cohort) o qual compreendeu 185.855 pessoas, sendo 17% afro-americanos, 7% nativos havaianos, 29% japoneses americanos, 22% latinos e 25% de brancos, com idades variando de 45 a 75 anos no momento do recrutamento (entre 1993 e 1996). Entre os participantes, 16% não tomavam café, 31% consumiam uma xícara por dia, 25% de duas a três xícaras, 7% quatro xícaras ou mais, e 21% consumiam de forma irregular. Durante os 16.2 anos que durou o seguimento, 58.397 pessoas faleceram. No entanto, os que consumiam uma xícara por dia apresentaram um risco de morte inferior a 12% em relação aos que não bebiam; e aqueles que bebiam de duas a três xícaras ou mais esse risco diminuiu 18%.

Essa associação foi encontrada nas quatro etnias estudadas, exceto nos havaianos. Nos dois estudos o beneficio observado foi o mesmo ao se utilizar o café preto ou o descafeinado. Por isso os autores de ambos os estudos apresentam divergências. No segundo estudo, estima-se que não é a cafeína que tem um efeito protetor enquanto no primeiro avalia-se que a diferença de consumo entre descafeinado ou não é difícil de avaliar pois consumidores de descafeinado bebiam também café preto. Enfim, parece que as pessoas que gostam de café podem continuar a consumir e os que não bebem podem pensar em começar a utilizá-lo!


Alimentação e Mortalidade Cardio-Vascular

Maus hábitos alimentares e diminuição da atividade física são dois importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares. É fato bem, conhecido que a alimentação atual é bastante desiquilibrada, pois convivemos simultaneamente com excesso de consumo de gorduras, sal e açúcar, provenientes de alimentos processados, carnes e derivados, frituras, alimentos e bebidas ricos em açúcar. Por outro lado, sofremos com carência de frutas e vegetais, leguminosas e peixes, fibras, hidratos de carbono complexos, vitaminas, minerais e antioxidantes. O padrão alimentar atual se associa ao aparecimento de hipertensão arterial, aumento do colesterol sanguíneo, dos triglicerídeos e da glicemia.


Pesquisadores americanos realizaram importante estudo para examinar a ligação entre hábitos alimentares e mortalidade cárdio-vascular e publicaram recentemente os resultados encontrados na Revista da Associação Médica Americana (JAMA). Observaram que vários hábitos alimentares estiveram associados a uma proporção importante de mortes por doença cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes. Especificamente, foram estimadas as associações entre dez hábitos alimentares e a mortalidade cárdio-metabólica à partir dos dados dos estudos NHANES (Nacional Health and Nutrition Examinations Surveys).


Em 2012, nos Estados Unidos, ocorreram 702.308 mortes cárdio-metabólicas em adultos, das quais 506.100 foram por doenças cardíacas, 128.294 por acidente vascular cerebral (AVC) e 67.914 por diabetes do tipo 2. Do total, 318.656 (45.4%) estiveram associadas a comportamentos alimentares de risco. Os riscos alimentares maiores em termos de mortalidade cárdio-metabólica foram: consumo excessivo de sódio (9.5% do conjunto das mortes), baixo consumo de grãos e nozes (8.5%), consumo elevado de carnes processadas (8.2%), baixo consumo de ômega 3 a partir de peixes (7.8%), baixo consumo de legumes (7.6%) e de frutas (7.5%), excessivo consumo de bebidas açucaradas (7.3%).


Quando os sub-grupos foram analisados observou-se que a mortalidade cárdio-metabólica associada a cada hábito dietético foi mais elevada no sexo masculino em relação ao feminino, nos indivíduos de cor negra e nos hispânicos em comparação aos caucasianos, e ainda entre os jovens em relação aos mais idosos. Esses resultados servirão para identificar as prioridades para que os serviços públicos de saúde adotem estratégias no sentido de alterar os atuais hábitos e melhorar os nefastos desfechos que são encontrados atualmente.
 


Excesso de Pornografia e Problemas de Ereção

Há poucos dias, por ocasião do 112º Congresso Americano de Urologia, um dos assuntos que chamou a atenção foi o relacionado com os problemas de ereção induzidos pelo excesso de consumo de pornografias. O trabalho sobre o tema foi estudado a partir de um questionário feito em mais de 300 homens e mulheres entre 20 e 40 anos de idade que procuraram uma clínica de urologia. Alguns resultados foram surpreendentes. Assim é que 3.4% dos homens disseram preferir se masturbar olhando algo pornô do que ter uma relação sexual com uma companheira. Isso se mostrou inquietante porque se trata de uma população de 20 a 40 anos de idade, da qual três quartos utilizavam essa prática pelo menos uma vez por semana.


Além disso, um número não negligenciável desses consumidores apresentavam problemas de ereção quando em alguma relação sexual. O percentual de causas orgânicas (causas físicas) de disfunção erétil nessa faixa etária é extremamente baixo, daí o pensamento de que a pornografia seria a explicação. Já entre as mulheres, nenhum problema maior foi notado. O mecanismo de adição ao pornô já era conhecido dos neurocientistas mostrando o que se passa no cérebro quando se olha imagens pornográficas. Tanto homens como mulheres mostram uma intensa ativação de alguns elementos essenciais do circuito do prazer.


A pornografia pela internet, em particular, é um super-estimulante desse circuito de recompensa em razão provavelmente da possibilidade de encontrar de forma instantânea e de maneira ininterrupta imagens sexualmente cada vez mais excitantes. Um estudo feito em estudantes em 2015 já mostrava que o risco de sofrer problemas de libido era praticamente zero entre os não consumidores de pornô, chegava a atingir 6% para os que consumiam menos de uma vez por semana e 16% para os que consumiam mais de uma vez por semana.


Uma das explicações é que os grandes consumidores tendem a procurar estímulos novos e se voltam para práticas sexuais pouco usuais, que terminam tornando o sexo clássico para eles em algo por vezes enfadonho. O primeiro passo para o tratamento se baseia no desmame da atividade provocada pela “overdose” pornô, e é recomendado para homens com menos de 40 anos e que se queixam de problemas sexuais, de ereções ou da libido e, claro, com acompanhamento com profissional habilitado.
 

 


 


Coração Sem Aterosclerose: Exemplo Vem Dos Índios

Índios Chimanes (ou Tsimanes), da região amazônica da Bolivia, possuem um coração sadio, mesmo aos 80 anos de idade. Essa é a conclusão a que chegou uma equipe de pesquisadores internacionais que estudou em 85 vilarejos na região dos Andes ao longo de um afluente do rio Amazonas entre 2014 e 2015 os hábitos de vida dessa população e realizou Exames de Tomografia Computadorizada para cálculo do escore de cálcio nas artérias. Os resultados da pesquisa foram publicados recentemente na revista médica “The Lancet”. O estudo mostrou que os Chimanes da America do Sul têm a mais baixa prevalência de aterosclerose coronariana entre todas as populações até hoje pesquisadas no mundo. O índice de calcificação das artérias do coração, sinal de aterosclerose, foram feitos em 705 adultos com idades entre 40 e 94 anos.


Do total, 85% não tinham calcificação, 13% tinham de baixa a moderada taxa de calcificação enquanto apenas 2% possuíam taxas elevadas. Observou-se também que 28% eram fumantes com um consumo médio de dez cigarros por mês e menos de 10% eram obesos. Os Chimanes vivem em condições pré-industriais, não têm acesso a medicina moderna nem a uma infraestrutura de saúde; não utilizam métodos anti-concepcionais, nem tampouco possuem supermercados e nem sequer utilizam eletricidade. Essas tribos vivem de caça, colheita, pescaria e gado e têm uma alimentação com peixes, cervos, paca, tatu, etc., com taxas baixas de gorduras saturadas quando comparados as populações industrializadas do ocidente.


Consomem alto teor de fibras, sem açucares industrializados, embora os carboidratos correspondam a 72% das calorias ingeridas, com arroz, mandioca, milho e frutas. Uma das características diz respeito a atividade física já que passam de 4 a 7 horas ao dia praticando alguma atividade física importante e menos de 10% do seu tempo é de atividade sedentária. Os benefícios parecem ser prolongados porque o estudo mostrou que 2/3 dos indígenas com mais de 75 anos não tinham aterosclerose e esses heptagenários permanecem muito ativos.


Os resultados se tornam interessantes porque mostram que se pode obter prevenção de doenças cardio-vasculares com um bom modo de vida. Uma preocupação que vem surgindo é por conta da introdução de canoas motorizadas e novas estradas feitas nesses últimos cinco anos e que dão acesso a cidades próximas onde existem mercados para compra de açúcar e óleo de cozinha. A história dos índios Pima no Estado do Arizona, Estados Unidos, mostrou os problemas decorrentes da “ocidentalização”dos costumes entre eles: umas das maiores taxas no mundo de obesidade e de diabetes. Esperemos que a história não se repita.


Idosos e Desnutrição Hospitalar

Vários estudos indicam que percentuais expressivos de 30 a 60% de idosos internados em hospitais são portadores de desnutrição. Essa doença invisível atinge milhões de pessoas no Brasil e é particularmente preocupante porque agrava o prognóstico. De fato, ela favorece o desenvolvimento de infecções e de complicações pós-operatórias, retarda a recuperação, prolonga a hospitalização e aumenta o risco de morte. Alguns estudos chegam a demonstrar que a desnutrição diminui pela metade a expectativa de vida em portadores de câncer. Mas a desnutrição não chega a ser uma fatalidade já que existem técnicas para estimular o apetite.


Em alguns centros hospitalares todos os pacientes são pesados na internação e na alta hospitalar, uma medida simples, mas nem sempre seguida. Um aspecto negativo diz respeito aos cuidados específicos; muitos hospitais não possuem um número adequado na relação recursos humanos/ paciente. Por outro lado, estudos na França mostram que cerca de 40% de idosos são hospitalizados por uma consequência da desnutrição, sendo as situações mais comuns a infecção urinária, a septicemia e as quedas. Contrariamente ao pensamento comum, uma pessoa com mais de 70 anos deve se alimentar em calorias tanto quanto um adulto mais jovem.


Além disso, para conservar a massa muscular, que tende a diminuir com o passar do tempo, a necessidade de proteínas torna-se mais importante como também a prática de atividade física, além de se avaliar a necessidade de suplementação de vitamina D. Como assegurar a ingestão calórica quando a saciedade é rápida, o paladar diminui e o olfato praticamente desaparece? Em matéria de apetite, todos os sentidos são necessários. Recente estudo israelense mostrou que a própria apresentação, variedade e arranjo dos alimentos nos pratos de comida chegaram a diminuir em 20% os casos de reinternação, ou seja, o percentual de pessoas que foram novamente internadas por complicações que surgiram menos de 30 dias da alta hospitalar foi significativamente menor quando comparada a apresentação clássica.


A presença de uma nutricionista é indispensável para manter um aporte nutritivo adequado e de qualidade e não modificar na medida do possível os hábitos alimentares. Não raras vezes, cuidadores querem impor seus regimes alimentares e isso é contra-produtivo. Deve-se ter como objetivo a manutenção do peso, pois, contrariamente ao que se diz o emagrecimento a partir de determinada idade torna-se um sinal de alerta, ou mesmo de alarme. Por isso, verificar o peso uma vez por mês é uma boa norma a ser seguida. Afinal, temos que evitar aquela espiral negativa que levará à desnutrição e a todas as complicações e comorbidades que a acompanham.
 


Depois das Festas, Dietas "Milagrosas"

O mundo atual tem se caracterizado pelo imediatismo. Muitas pessoas procuram perder peso de forma rápida, seguindo dietas “milagrosas”, às vezes muito restritivas, e que podem comprometer o estado nutricional e a saúde. Nestas festas de fim de ano ganhamos peso porque usualmente utilizamos alimentos calóricos em excesso, bebemos mais álcool e refrigerantes, nos excedemos nas sobremesas, passamos mais horas sentados, reduzimos a atividade física e, em janeiro, com o novo ano, queremos “passar a borracha” em tudo isso. Assim, as dietas milagrosas proliferam, prometendo perda rápida de peso e sem esforço, e normalmente têm como propagandista algum (a) personagem famoso (a). Além do efeito “sanfona”, elas podem trazer consequências nocivas para a saúde.


Na maioria das vezes são dietas não equilibradas que podem causar problemas no metabolismo orgânico, na função renal, ocasionando deficiências vitamínicas, queda de cabelos, entre outros efeitos nocivos. Temos de ter em conta que a obesidade é um problema crônico e seu tratamento implica em mudança de estilo de vida programada e progressiva em longo prazo, e para isso não existem curas ou medicamentos milagrosos. As dietas não equilibradas e restritivas não possuem fundamentação científica e o abandono delas favorece uma recuperação muito rápida do peso perdido, o que não deixa de ser um transtorno para o organismo. Ultimamente, a dieta conhecida como Dieta do Açucar vem sendo seguida por muitas pessoas.


Ela propõe evitar todo tipo de açúcar, o que pode gerar confusão. Claro que reduzir o consumo de açúcar comum e de produtos que o contenham é muito positivo. No entanto, reduzir o consumo de alimentos naturais como frutas, verduras e hortaliças ou alimentos lácteos por conta da presença de glicose, frutose ou lactose, pode ser prejudicial para a saúde. Substituir o açúcar comum por preparados ditos naturais, mas que contem açúcar parece ser uma autentica contradição. A restrição de hidratos de carbono pela redução de cereais, legumes, verduras e frutas, pode levar a uma rápida perda de peso, fundamentalmente a expensas de líquido extracelular, mas também a perdas de cálcio, potássio e outras vitaminas e sais minerais.


Manter uma dieta desse tipo por longo prazo pode acarretar importantes consequências para a saúde como dano cerebral, hepático e renal, transtornos do metabolismo das gorduras, osteoporose e constipação intestinal. Temos que lembrar que muitas dietas hipocalóricas levam a perda de peso a custas do tecido muscular e não tanto do tecido adiposo. O retorno progressivo a alimentação habitual leva ao reganho de peso a expensas de agua e gordura, e muita da massa muscular perdida não é recuperada. Esta perda de músculo leva a uma readaptação do metabolismo energético cuja necessidade de calorias diminui, o que justifica expressões frequentes como “cada vez como menos e engordo mais”. Por tudo isso, para controlar o peso é eficaz manter uma alimentação saudável, realizar atividade física, ser vigilante na ingestão alcoólica e saber que ter um descanso noturno é salutar, pois favorece a saúde cardiovascular.
 


Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido também pela sigla TDAH, é uma afecção conhecida desde o século 19, mas que só há poucas décadas chamou a atenção da comunidade cientifica e da sociedade em geral. Trata-se de um distúrbio neurobiológico caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, com predisposição genética e que aparece na infância, mas pode acompanhar a pessoa durante toda a vida. A hiperatividade está ligada a motricidade, ou seja, aos movimentos, mostrando uma criança agitada e inquieta.


Por seu turno, a impulsividade se caracteriza pelo “agir sem pensar”. São crianças que podem sofrer mais acidentes, pois são mais intempestivas, não costumam ter paciência, interrompem as falas das pessoas, independentemente da boa educação que recebem, sendo estes sintomas observados também nos adolescentes e adultos. Assim, as queixas das crianças e dos adultos podem ser as mesmas: distração, dificuldade para concentrar-se, rendimento nas atividades diárias prejudicado e impulsividade. Tipicamente, agem sem pensar e se arrependem do que fizeram.


O TDAH afeta entre 3 a 5% da população escolar e adulta e, em crianças entre 1 a 3 anos, se traduz pela variação temperamental, impulsividade e adaptação social limitada; a criança não obedece, não respeita as normas e pode ter alterações do sono, da linguagem e até do desenvolvimento motor. Nos pré-escolares, entre 3 a 6 anos, se observa uma “inquietação motora”, déficit de desenvolvimento, conduta desafiante, problemas de adaptação social, acidentes e dificuldades escolares. Entre os 6 e 12 anos aumenta a procura por assistência médica e se dispõe de melhores evidências cientificas tanto para o diagnóstico como para o tratamento, pois os sintomas ficam mais claros.


Na adolescência pode diminuir a hiperatividade, mas se mantém a inquietação e a impaciência, sendo freqüentes as dificuldades acadêmicas e a baixa auto-estima, assim como problemas familiares e aumento de condutas de risco , como o consumo de drogas. Os estudos do TDAH consagrados aos adultos são mais raros. De um modo geral, o diagnóstico e tratamento podem envolver o pediatra, o neurologista, o psicólogo e às vezes o psiquiatra. Muitos adultos com TDAH desenvolvem algumas técnicas para lidar com as próprias dificuldades. A terapia medicamentosa associada à abordagem psicoterápica e medidas pedagógicas e comportamentais ajuda a controlar a doença.