A morte do Mestre

Um paraibano que veio para o Recife em 1942 e construiu em Pernambuco sua vida. Formado em Direito, dramaturgo, escritor, romancista, poeta, ensaísta, político, fundador do Teatro Popular do Nordeste, membro fundador do Conselho Federal de Cultura, criador do “Movimento Armorial”, ocupante da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras e membro da Academia Pernambucana e Paraibana de Letras, Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da Universidade Federal do Ceará e torcedor fanático do Sport Club do Recife. Esse era apenas uma parte do nosso mestre Ariano Vilar Suassuna, que deixa nossa cultura órfã e mais triste após sua morte.

Ariano possuía as mais extraordinárias qualidades de homem de letras e de intelectual no melhor sentido da palavra. E se “o otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”, pode parecer clichê, mas, em um mês que perdemos João Ubaldo, Ivan Junqueira e Ariano, nos resta acreditar que as próximas geração poderão desfrutar de tanta genialidade na imortalidade de suas obras.

Foi o “Auto da Compadecida”, em 1955, que projetou Ariano pelo Brasil. Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de teatro de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema. Como esquecer as confusões de João Grilo e Chicó? E mais ainda: como esquecer a personalidade forte de Ariano, que dizia ter antipatia ao tipo de arte massificada, vinda de fora, que o povo precisava “engolir”.

Suassuna era defensor da cultura popular. E isso ficou ainda mais evidente quando, em 1970, ele reuniu inúmeros artistas pernambucanos em torno da ideia de misturar música, artes cênicas, literatura, artes plásticas e cinema com a cultura popular. Dando origem ao que ele batizou como “Movimento Armorial”. Para esclarecer, armorial significa a coleção de insígnias de um povo, ou seja, a essência, as características populares.

Ariano tinha o dom de contar histórias. Tinha o dom de mesclar o erudito com o popular e talvez por isso tenha conquistado uma multidão de fãs e admiradores que lotavam suas aulas-espetáculos por todo o Brasil. Seu bom humor era admirável... Poucos eram capazes de fazer piadas com a própria desgraça, como ele fazia, mas sem utilizar do humor negro característico de humoristas.

Como bom nordestino, ele fazia questão de ressaltar que não trocava o seu "oxente" pelo "ok" de ninguém! E como bom paraibano, dizia que não gostava da ideia de ter 'medo de morrer'. Mais ia mais além, não gostava de confessar que tinha medo. E como em um trecho de sua mais famosa obra, Ariano “cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre” (O Auto da Compadecida).

Palmas para o gênio Ariano Suassuna! Devemos agradecer por sua arte, por ter nos divertido por tantos anos e ao mesmo tempo, por ter nos ensinado tanto. Não há dúvidas que seu talento e suas histórias nunca serão esquecidas.

Janguiê Diniz
Mestre e Doutor em Direito
Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau
Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional


Economia e educação

 Duas entrevistas recentes publicadas no jornal Folha de São Paulo despertaram a minha atenção. Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José de Alencar e presidente da Coteminas, frisou, em entrevista no dia 25/11/2013, que faltam ao governo Dilma Rousseff previsibilidade e transparência na economia. Nilson Teixeira, economista-chefe do banco Credit Suisse, em 01/12/2013, afirmou que investimento em educação precisa ser prioridade.

Concordo com as referidas afirmações dos autores destacados. A presidente Dilma Rousseff optou, no início do seu governo, por desenvolver o capitalismo de Estado. Com isto, todas as ações voltadas para o desenvolvimento econômico, inclusive no âmbito da infraestrutura, precisaram, necessariamente, passar pelo crivo de variados ministérios. Tal decisão acarretou desconfiança dos empresários, já que a liberdade de agir, sob a observação do estado, é característica da atividade empresarial. Mas, o governo Dilma escolheu a ação e não apenas a observação.

Além disto, desde o início do governo Dilma, críticas ao desempenho do Banco Central foram feitas por empresários, economistas e jornalistas especializados em economia. As críticas versavam sobre a independência do Banco Central para tomar atitudes que tivessem como objetivo a busca pelo desempenho econômico pujante do país. A desconfiança, que sempre existiu por parte do setor produtivo, foi quanto à falta de transparência na relação entre governo e presidência do Banco Central. A ausência da transparência possibilitava desconfiança no que concerne ao futuro da economia brasileira.

A atividade empresarial requer riscos. Entretanto, eles podem estar atrelados a níveis de previsibilidade. Neste sentido, empresários desejam saber claramente se a opção do governo é o controle da inflação, a parceria público-privada na execução de obras públicas e qual será o nível dos gastos públicos num estágio de reduzido crescimento econômico. Quando os governos sinalizam quais são os seus objetivos, empresários descobrem por qual caminho trilhar.

Reconheço, que desde o início do segundo semestre, a presidenta Dilma Rousseff dá sinais claros e positivos ao setor produtivo brasileiro. Ela fez a opção de controlar a inflação. A prova disto é de que não mais existem cerimonias para o aumento de juros, caso seja necessário. As concessões de estradas e aeroportos para a iniciativa privada têm apresentado sucesso, inclusive, trazendo lucro para a União, como foi o caso da concessão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Portanto, parece-me que o Brasil viverá uma nova etapa em 2014.

Por outro lado, não devemos esquecer dos investimentos em educação. O Pronatec foi criado. O Bolsa Família ampliado. Ambos representam incentivos para a qualificação dos brasileiros. Entretanto, o Brasil precisa de mais. É necessário pensar a formação de uma concertacion entre prefeitos, governadores e presidente da República para que, juntos com a iniciativa privada, o Brasil conquiste melhores índices educacionais em relação a outros países.

Debater a economia é necessário. Mas, antes deste debate ou atrelado a ele, observo que devemos discutir a educação. Pois sem profissionais qualificados, o desempenho da economia brasileira não será inclusivo. Será apenas para alguns.


Clientelismo educacional

A atividade política é republicana e os costumes políticos são republicanos quando os atores buscam o bem comum. O predomínio do bem comum na prática política contribui para que bens públicos sejam ofertados com eficiência e qualidade para a população. O estado é uma organização formada por variadas instituições, as quais são compostas por indivíduos que têm a função de distribuir bens públicos para a sociedade. Neste caso, se encaixam perfeitamente como exemplos, a educação, saúde e segurança pública.

Max Weber ao refletir sobre a prática científica sugeriu que cientistas não devem confundir o “deve ser” com o “que é”. O “deve ser” significa o desejo que alguém tem, por exemplo: “eu desejo que os costumes dos atores políticos presentes na República brasileira visem, exclusivamente, o bem comum”. Por outro lado, o “que é” representa a realidade: “os costumes dos atores políticos presentes na República brasileira não visam, exclusivamente, o bem comum”.

Observamos que no Brasil a atividade política nem sempre é republicana e, por consequência, os bens públicos não são ofertados pelas instituições com eficiência e qualidade. Com isto, as instituições não são, por vezes, instrumentos que promovem o bem comum como prática costumeira na sociedade. Esta nossa constatação não advém do achismo, mas de eventos presentes na realidade.

De acordo com reportagem da Folha de São Paulo do dia 07/10/2013, um em cada cinco diretores de escolas públicas é alçado ao cargo por políticos. Dos 56.911 diretores das redes estaduais e municipais, 12.413 foram definidos por indicação política. O maior índice deste tipo de ação foi encontrado no estado de Santa Catarina, 62,8% do total das indicações.

Chefes do Poder Executivo têm condições de cobrar desempenho eficiente dos diretores de escola que são indicados por políticos? Esta é a pergunta chave. A indicação política é espécie de clientelismo, os parlamentares e vereadores sugerem nomes ao Poder Executivo e este tem o livre arbítrio de nomear ou não. O critério para a nomeação pode ser vários, desde a competência técnica para o exercício do cargo, a capacidade política para a conquista de votos para o seu indicado/padrinho.

O Brasil sofre constante processo de transformação socioeconômica. Mas, os recentes dados do PNAD revelam que a taxa de analfabetismo parou de cair. Neste caso, uma tendência de queda foi interrompida. Então, indagamos: qual é a razão desta interrupção? Diretores de escolas indicados por políticos contribuíram para a interrupção? Por outro lado, um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revela que a oferta de mão de obra qualificada aumentou. Dai, questionamos: será que a indicação política dos diretores de escolas contribui para o fortalecimento de tal fenômeno meritório?

O mérito, em qualquer atividade, deve ser o critério fundamental que orienta as decisões dos gestores. O clientelismo educacional caracterizado pela indicação de diretores de escolas públicas por parte do estado renega o mérito e não contribui para que a educação, a qual é bem público, seja ofertada a milhões de jovens brasileiros com qualidade. É tarefa árdua incentivar a prática do bem comum na sociedade sem a oferta de educação com qualidade.


Precisamos de mais médicos?

Em meio a polêmica sobre a falta de médicos no Brasil, com o governo Federal anunciando projetos para trazer profissionais estrangeiros para atender as demandas, a pergunta que mais tem sido feita pela população é: precisamos de mais médicos ou precisamos de infraestrutura para os profissionais nacionais trabalharem?

No início de 2013, uma pesquisa realizada pelo Ipea realizada com quase 3 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), indicou a falta de médicos como principal problema de 58% dos brasileiros que utilizam o atendimento na rede pública. O Brasil tem uma média de 1,8 médicos para cada mil habitantes, enquanto isso, na Argentina a proporção é 3,2 médicos e, em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos.

Todos os anos, 13 mil brasileiros se formam em medicina. Contudo, os médicos brasileiros estão concentrados no Sudeste do País. E assim, temos 22 estados que estão abaixo da média nacional de médicos por habitantes. No Rio de Janeiro e Distrito Federal, por exemplo, há mais de três profissionais para cada mil habitantes. Já em alguns estados do Nordeste, seria preciso dobrar a quantidade de profissionais para atingir a média nacional.

Tais dados nos levam a acreditar que o problema está na distribuição geográfica dos profissionais, que é desigual. Vale analisar se a maior dificuldade não esteja em atrair médicos para as áreas mais carentes do país, para as periferias das cidades e para o interior.

Se precisamos de mais médicos? Sim, precisamos. Em um País com cerca de 400 mil médicos formados, cerca de 700 municípios não possuem um único profissional de saúde. Já em outros 1,9 mil municípios, 3 mil pacientes concorrem pelo atendimento de menos de um médico por pessoa. A questão da falta de médicos é coerente, mas solucionar apenas esse ponto não é suficiente.

Como podemos querer que os médicos atendam nas cidades menores ou do interior do país, se não há infraestrutura para realizar os procedimentos? Os profissionais resistem em trabalhar em lugares sem estrutura, equipamentos e medicamentos, e esta é uma realidade que resulta na necessidade de ampliar investimentos.

Levar médicos a todas as localidades do Brasil é um desafio. Entretanto, é fundamental aplicar bem os R$ 15 bilhões anunciados pelo Governo para investimentos na infraestrutura de hospitais e unidades de saúde. E, assim como em outras áreas, é preciso uma gestão rigorosa e capaz de transformar o SUS em uma referência.

 

* Precisamos de mais médicos? - Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com


O carisma de Francisco

 Há apenas três meses como líder da comunidade Católica mundial, o papa Francisco tem mudado a imagem da Igreja, revigorado os católicos pelo mundo e trazendo, cada vez mais, jovens para a vida religiosa, tudo isso com o carisma e simplicidade que marcaram toda sua trajetória e que continuam presentes nos gestos como Santo Pontífice.

Na primeira viagem internacional durante seu pontificado, o Papa Francisco vem ao Brasil participar da Jornada Mundial da Juventude. O evento irá reunir milhares de pessoas no Rio de Janeiro, uma parte por ser esta a primeira visita de Francisco no país, outra parte por acreditar que, após anos, a Igreja Católica está mudando. Mas não apenas é isso que impressiona.

Não é a primeira vez que a história demonstra que o carisma da vida religiosa pode determinar uma mudança e o crescimento da Igreja, em termos de santidade e de eficácia de sua missão. Foi assim com São Bento, São Francisco e Santo Inácio. O lado humilde do Papa chama atenção. Em pouco tempo, percebeu-se que ele é diferente.

Se o objetivo da Jornada Mundial da Juventude é fazer com que os jovens católicos se aproximem da Igreja e compartilhem as experiências recebidas durante as atividades nas sociedades onde vivem, o Papa Francisco está no caminho certo. A previsão é que aproximadamente dois milhões de fieis de 190 países, além de sacerdotes e bispos do mundo inteiro, participem do encontro e vejam, de perto, um pontífice que abriu mão do anel de ouro e do papa móvel blindado.

O que se observa é que, desde que Francisco assumiu como Papa, o número de pessoas que comparecem semanalmente à Praça de São Pedro para ouvir as palavras do pontífice só aumenta. Pessoas que acreditam que, através das atitudes do Santo Padre, a Igreja Católica será renovada. Não há como negar que Francisco tem um carisma forte, que causou uma empatia imediata nas pessoas. Esse é, sem dúvidas, um papa diferente.

Aos desavisados, essas atitudes não são uma postura adotada após ter sido escolhido Papa. Como Cardeal Bergoglio, Francisco foi uma pessoa próxima, principalmente, dos mais humildes e sofridos. Na Argentina, seu país natal, muitos o chamam “O Papa do bairro” - inclusive os que não são católicos -, pois todos os depoimentos falam na humildade e no espírito de serviço que ele carregou consigo.

Um Papa de opinião forte e de gestos comedidos, que recusa regalias, que vai de ônibus, junto com os irmãos cardeais, para a missa do Vaticano e que sabe a missão que tem pela frente. Não se espera outra coisa do Papa Francisco, a não ser carisma, humildade e compromisso com os mais necessitados.

*Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com


Os rumos da educação na era tecnológica

Há décadas sabe-se da importância da educação na sociedade. Seja para destacar-se no mercado de trabalho ou para manter-se inserido no contexto social, o papel da educação é indiscutível. Contudo, a sociedade mudou e os métodos educacionais também.

Se antes alunos ocupavam salas de aulas, com professores falando, giz, quadro negro, horários regrados e provas teóricas, hoje, não há limites físicos para o compartilhamento de conhecimentos. Os métodos de ensino mudaram, acompanhando o desenvolvimento tecnológico e as necessidades da sociedade e a transmissão do conhecimento ultrapassou as paredes das salas.

É de conhecimento comum que estamos vivendo na era das tecnologias e das redes sociais, do compartilhamento imediato de informações e onde as pessoas precisam assumir múltiplos papéis: trabalhar, estudar, assumir os cuidados com a casa, cuidar dos filhos, etc.

Vivenciando essas mudanças e percebendo a dificuldade que os professores estão encarando o desafio de manter a atenção dos estudantes, que por vezes se mostram dispersos e incapazes de manter a concentração e o foco diante de métodos tradicionais, os recursos midiáticos foram incorporados à prática pedagógica, tornam as aulas mais atrativas para os alunos e contribuindo para uma aproximação do professor com a atual realidade dos mesmos.

Nesse contexto, considerando, também, o aumento da demanda social por educação e para atingir comunidades mais distantes dos pólos educacionais, além de facilitar esse ritmo dinâmico de vida que adotamos, os cursos a distância assumem, por muitas vezes, o papel das salas de aula. Mas, não podemos afirmar que eles assumirão o papel das escolas, faculdades e universidades.

Os recursos midiáticos contribuem para tornar as aulas mais atrativas e aproximar o professor da atual realidade de seus alunos: a era tecnológica. Poder cursar o ensino médio, graduação e outros cursos através da internet, além de cômodo, é prático, entretanto, é imprescindível a intervenção do professor, como orientador, assumindo o papel daquele que irá direcionar o uso destes recursos para que a proposta pedagógica não seja esquecida.

Qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode obter informação e conhecimento através da internet. É preciso ter senso e saber que nem tudo que é publicado na rede é verídico e além disso, mais do que um local de ensino teórico, as instituições de ensino contribuem para o desenvolvimento social e interpessoal dos estudantes.


Brasil da política ou da politicagem?

 Nas últimas semanas as ruas do Brasil foram invadidas por milhares de pessoas dispostas a mudar o rumo do nosso país. Os brasileiros parecem ter acordado para a situação em que nos encontramos e, apesar de estarmos economicamente equilibrados, o mesmo não pode ser dito das condições de saúde, educação, transporte público e tantos outros itens.

Todos os protestos fizeram com que, em menos de uma semana, a presidenta Dilma Rousseff fizesse dois pronunciamentos oficiais em rede nacional. Algumas colocações relevantes e outras, para muitos brasileiros, infelizes. O fato é que, no segundo pronunciamento e em meio a votação da Proposta de Emenda Constitucional 37/2011 – que retira o poder de investigação criminal de alguns órgãos e, sobretudo, do Ministério Público, deixando-o exclusivo das polícias federal e civis -, Dilma levantou a possibilidade sonhada por muitos brasileiros: uma reforma política.

Pensando na reforma política e conscientes que 2014 é ano eleitoral no país, cabe questionarmos: seria o Brasil um país da política ou da politicagem? Para respondermos a esta indagação, primeiro precisamos entender o conceito de ambas. Política e Politicagem se confundem e a maioria das pessoas não tem uma noção muito clara de o que realmente é política.

A política é definida como a ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa). Já a politicagem, de forma simples e direta, é a política de interesses pessoais, de troca de favores ou de realizações insignificantes.

Para muitos a concepção de política é aquela ligada ao político corrupto, lavagem de dinheiro, mas isso não é política e sim politicagem. A politicagem são atos inescrupulosos, que visam o benefício próprio e não a coletividade, são ações de políticos que querem se dar bem às custas do povo, e neste quadro, não incomum ao Brasil. Fazer política é estabelecer fundamentos para o futuro a fim de que as próximas gerações sejam beneficiadas, é manter fidelidade ante os compromissos feitos com o povo durante o período eleitoral.

Infelizmente, o Brasil de hoje está mais para politicagem do que para política. Por um simples motivo, a impressão negativa inicialmente se mostra mais forte que a positiva, então, os políticos corruptos acabam por sujar a imagem do todo, levando o povo a generalizar. Contudo, devemos lembrar que os cidadãos obtiveram o direito de votar, de escolher quem seriam os representantes do povo e é através desse direito que todos devem ter consciência de que as pessoas eleitas e escolhidas para representar a população, tanto na esfera federal, estadual ou municipal, devem agir com ética e respeito ao bem comum.

Temos o direito de protestar, sem vandalismo, entretanto, não basta protestarmos nas ruas por melhorias, se na hora de exercermos o nosso direito nas urnas, continuarmos a votar sem consciência de nossas escolhas.


“Um país mudo, não muda”

 Em meio a uma série de protestos realizados pela população brasileira, alguns políticos e governantes, além de uma pequena parcela da população, acredita que os R$ 0,20 de aumento nas passagens do transporte público não justificam as manifestações. Outros alegam que o povo pediu a Copa do Mundo no Brasil e que não é possível realizar tal evento sem a construção de estádios.

 

Antes de apoiar ou repreender qualquer um dos lados é preciso conhecer a situação na qual vivem milhões de brasileiros. Em Pernambuco, o valor da passagem de ônibus mais barata custa R$ 2,25. Em São Paulo, R$ 3,00. Multipliquemos esse valor pelos milhares de usuários diários que utilizam esse tipo de transporte.

 

Ao analisar o transporte público, o que temos é um serviço de péssima qualidade, muitas vezes com veículos já sem condições de uso. E isso se repete com inúmeros ônibus das prefeituras, que transportam crianças para as escolas em cidades rurais. Lembramos também que a quantidade de veículos não é suficiente para suprir a demanda. Em resumo: o transporte público atual é ineficiente e não é adequado às necessidades da população.

 

Continuando, o Brasil é conhecido mundialmente como o país do futebol, dessa forma, fica fácil compreender que os protestos não estão ligados à realização do evento. Infelizmente, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo não serão eventos para o povo brasileiro - o povo que ama futebol e que leva sua família para os campos no país inteiro. Para compreender isso, basta observar os valores dos ingressos, longe de permitir o acesso dos menos favorecidos.

 

Ademais, faz-se um direito da população reivindicar que os gastos com tais eventos estejam claros, visto que, o dinheiro para as obras sai do próprio brasileiro, através do pagamento dos altos impostos nacionais. Não se pode admitir que bilhões sejam gastos com a construção de estádios, que sequer poderão se manter pós evento, quando a saúde e a educação pública estão em crises.

 

Da mesma forma, há anos se discute a necessidade de uma reforma política, fato que nunca se concretizou. Ao contrário, vemos políticos condenados pela justiça continuar em mandatos públicos, além do aumento da corrupção e votação de PECs que favorecem uma minoria. A discussão sobre criação de novos partidos é apenas uma, entre tantas as coisas que precisam mudar na política nacional.

 

O fato é que o povo brasileiro passa por momentos de revolta e cansaço diante de tantas falhas e isso é motivo para o povo ir às ruas. Ir às ruas para pedir por educação, por saúde, por mobilidade, por infraestrutura, por saneamento. Entretanto, voltamos a repetir, protesto é diferente de vandalismo. A polícia deve sim agir contra uma minoria que depreda veículos, invade lojas ou agride física e verbalmente os policiais. Mas, não pode tirar o direito dos cidadãos de protestar pacificamente.

 

“Um país mudo, não muda”. Um país que não se manifesta é condizente com as políticas públicas adotadas.


O valor dos estádios brasileiros

Seis estádios do Brasil serão utilizados para a realização da Copa das Confederações, em julho deste ano. Já para a Copa do Mundo, em 2014, serão 12 cidades-sede. Em outubro de 2007, quando começaram as disputas das 12 cidades-sede, cada uma delas apresentou um orçamento, que juntos totalizou o valor de R$ 3,25 bilhões para construção dos estádios – vale ressaltar que tal conta não incluía o estádio do Mineirão, que, na época, não tinha estimativa de preço.

Em 2011 as surpresas começaram a aparecer. O custo das arenas foi divulgado e atingiu R$ 6,419 bilhões. Praticamente o dobro do previsto inicialmente. Segundo informações disponíveis no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU), as maiores variações ocorreram nas arenas da Fonte Nova, em Salvador, do Mineirão, em Belo Horizonte, do Maracanã, no Rio de Janeiro e o Estádio Nacional, em Brasília.

Analisando a arena Fonte Nova, por exemplo, a construção custou R$ 591,7 milhões. Contudo, soma-se a isso o valor de contrapartida exigida pelo consórcio que administrará o local - são R$ 103,7 milhões, por 15 anos - fazendo com que o custo final chegue a R$ 2,2 bilhões. Um incremento de 272% em relação ao previsto na matriz de responsabilidade assinada em 2010. E, além de custos tão altos, todos foram entregues com falhas e precisarão de adequações que vão desde instalações de placas de si­­na­­­­lização até a troca do gramado do bilionário estádio Mané Garrincha, inaugurado em maio.

Depois de tantos investimentos para receber tais eventos, cabe questionar o que ficará de legado à população brasileira, que convive com saúde pública deficiente, com a falta de vagas nos hospitais públicos, má qualidade nas escolas e inexistência de saneamento básico em quase todas as cidades do país. Isso sem citarmos a situação da seca no Nordeste ou das enchentes no Norte do país, por exemplo. Não queremos e não podemos deixar de valorizar a a importância de sediar eventos de grande porte como estes, contudo, faz-se necessário e é preciso olhar as reais necessidades da população e elencar prioridades.

As construções de estádios grandiosos, com alta tecnologia e projetados para atender aos padrões da FIFA, acabarão por afetar economicamente a população brasileira, que se faz presente nos estádios e tem no futebol uma forma de lazer pessoal e familiar. A explicação se deve ao fato que, após a Copa do Mundo e Copa das Confederações, os mesmos passarão a receber jogos locais e o custo de manutenção e funcionamento será repassado ao torcedor através do valor do ingresso. Isso significa dizer que, ingressos que antes custavam R$ 20,00 passarão a custar R$ 90,00, por exemplo.

As vésperas da realização da Copa das Confederações as discussões nas Câmaras Federais e Municipais sobre os custos dos estádios brasileiros tem sido uma constante, incluindo indicações de elefantes brancos e pedidos de auditorias nas contas. Receber eventos como esses proporciona muitos investimentos ao país sede, contudo, para que eles sejam realmente benéficos para a população local, é preciso avaliar e gerenciar os custos e os investimentos. Apenas dessa forma poderemos “entrar na rota” dos eventos mundiais, sendo capazes de sediar e receber os turistas, com grandeza e sem imprevistos, proporcionando, também e da mesma forma, que a população seja beneficiada.

* Janguiê Diniz – Mestre e Doutor em Direito – Fundador e Acionista Majoritário do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com


Racismo, uma das piores formas de intolerância

 No dicionário Aurélio, racismo significa “teoria que afirma a superioridade de certas raças e nela assenta a defesa do direito de dominar ou mesmo suprimir as outras. Atitude preconceituosa e discriminatória contra indivíduos de determinadas raças ou etnias”.

Na doutrina do racismo afirma-se que o “sangue” é o marcador da identidade étnica, ou seja, dentro de um sistema racista o valor do ser humano é determinado pela sua pertinência a uma "nação racial coletiva" e não por suas qualidades e defeitos individuais. Este era o pensamento dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e o que justificava o que eles chamaram de "limpeza étnica" que incluiu o assassinato de milhares de pessoas das chamadas "raças inimigas”, entre elas os judeus.

Estamos no século XXI e, apesar de tanta modernidade, o racismo tem assumido formas muito diferentes ao longo da história. Apesar de este ser um preconceito baseado na diferença de raças das pessoas, quando falamos em racismo, o primeiro pensamento que aparece é contra os negros. Independente de contra quem e não importa como, vale ressaltar que, pela legislação pátria, se comprovado, o racismo é um crime inafiançável, com pena de até 3 anos de prisão.

Embora no Brasil haja uma forte miscigenação de raças e a incidência do racismo não seja tão evidente para alguns, mas ele não deixou de existir. Se há séculos os negros não tinham permissão nem para entrar nas casas dos brancos, hoje nos deparamos com cenas lamentáveis como xingamentos de atletas, principalmente jogadores de futebol ou basquete.

Caros leitores, o Brasil tem a maior população negra fora da África e a segunda maior do planeta. Ficamos atrás apenas da Nigéria, que possui uma população estimada de 85 milhões de pessoas e é o único país do mundo com uma população negra maior que a brasileira. Já não vivemos na época que os europeus colonizaram a África e as Américas, impondo aos povos colonizados as suas leis e formas de viver.

Muito do que somos hoje, temos que agradecer a todos os negros que, com sua força, com sua resistência e com inteligência, engrandeceram a história do nosso país. Nosso povo, a política, a música, os esportes, enfim, a nossa herança social, política e cultural foi um legado de tantos negros, com nomes marcantes – como os de Zezé Motta, Haroldo Costa, Zózimo Bulbul, Milton Gonçalves, os irmãos Arthur e João Timótheo da Costa, Aleijadinho, Zumbi dos Palmares, Lima Barreto, Ernesto Carneiro Ribeiro, Pelé, Pixinguinha, Machado de Assis, Jamelão e tantos outros - que levaram e levam nosso país para todos os lugares do mundo.

Não podemos mais aceitar a ideia errônea de que os negros, os índios ou qualquer raça, sejam inferiores umas as outras e permitir que em um país tão diverso a discriminação racial ainda exista. O sangue que corre nas nossas veias é da mesma cor e nenhum de nós é melhor do que o outro por temos tons de pele diferentes.