PALCO 105, E OUTRAS AGENDAS

Palco 105

Nas andanças pela noite e dia encontramos o amigo e jornalista Jamarri Nogueira, da área de arte e cultura. Ele é, sem dúvida, um dos poucos, melhor dizendo, raros colegas que investe nessa área de programas com espaço artístico. Seu “Tabajara em Revista”, apresentado ao vivo, todas as tardes através da Rádio Tabajara FM, e o Palco 105 acústico, toda terça-feira Na Budega, tem elenco de primeira.

Assim como nosso projeto AGENDA Viva, parceria com a WSCOM e TV Empreender, o espaço de Jamarri Nogueira convida o que há de mais importante e atual nas artes do Estado da Paraíba. Suas entrevistas são dinâmicas, com música acústica dando oportunidade à novos e veteranos. Mais, o internauta pode interagir do lugar onde estiver, seja na Capital, interior do Estado, Brasil ou até exterior, como tem acontecido.

Jamarri Nogueira tem um dos projetos mais lindos, ao mesmo tempo simples e valioso, prestando serviço à divulgação das artes, exportando música através das ondas sonoras do rádio e também internet, valorizando o produto artístico local, regional.

O projeto AGENDA VIVA completa agora dois anos de atividade e fechou importante parceria com a TV Empreender, ganhando num salto de qualidade digital, com equipamento de primeira e produção, edição, tudo o mais. Aproveita para levar ao ar através de seus canais TV Empreender, AGENDA Viva, WSCOM e API – Associação Paraibana de Imprensa; uma série de dez programas com o que há de melhor das entrevista durante esses dois anos, enfocando a fala de gestores como Nezia Gomes, Presidenta da Funesc - Espaço Cultural, David Fernandes – Coordenador do CCTA – UFPB, Lucio Vilar, cineasta, Lau Siqueira, poeta e Secretário de Cultura, atores como Zezita Matos, Tarcísio Pereira, Flávio Melo, Mariana Petit, Kalline Brito, cantores como Nathália Bellar, Érika Maria, Clarrissa Yemisi, Escurinho e muito outros.

Além desses dois programas em foco, dispomos ainda de uma meia dúzia de sites que aqui e ali promovem a cultura. Não poderia esquecer as casas de shows, pequenos espaços que abrigam com categoria como Café da Usina Cultural Energisa, com excelente programação diária, A Budega Café e Arte, CEARTE, Livraria do Luiz na Galeria Augusto dos Anjos da Praça 1817, Sebo Cultural, Hotel Globo e o Por do Sol Literário, Buarque-se Café, Espaço Cultural José Lins do Rego com boa e constante programação.

Seria injusto dizer que a Paraíba dedica pouco espaço aos seus artistas atuais. Sim, ainda é pouco, mas vem apresentando um bom momento e assim fecha o balanço de um ano economicamente difícil, mas que manteve programação de nível. Aproveitando para registrar e parabenizar a positiva atitude de Maria Eduarda, diretora superintendente da Rádio Tabajara, que vem acertando com esses projetos liderados pelo camarada Jamarri Nogueira.

Nas fotos, as bandas Seu Pereira e Coletivo 401, e Mafiota, durante apresentação no Palco 105 – A Budega

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing - g.sabino@uol.com.br
 


O LUGAR 6

olugar6

Sandoval Fagundes costumava esfregar o rosto como quem desejasse melhorar a visão, limpar os olhos, espalhar o cansaço, inspirar-se, e eu olhava aquele movimento imaginando que cada vez que ele fizesse isto logo viriam novas imagens porque daí posicionava as mãos no papel com lápis cera e saía esfregando de maneira que o resultado eram formas e desenhos lúdicos e começa ali uma relação artística e cultural tanto para ele como para mim, que o admirava... na verdade eu corria pra casa e também tentava imita-lo nos desenhos que fazia. Éramos vizinhos, a época era final da década de 60 para início dos anos 70 e os hippies e os Beatles eram os assuntos do mundo...


50 anos se passaram e nos reencontramos, e numa madrugada de conversas entre tintas e objetos no atelier agora chamado de olugar6, pude ver a evolução daquilo que o menino projetava como futuro. Uma vida inteira amadurecendo através da arte. Agora ele escreve poemas, toca, canta, pinta, desenvolve as mais lindas esculturas que talvez Da Vinci, se por aqui estivesse, muito gostaria de vivencia-las...


Confesso que sou mesmo impotente para escrever sobre arte, mas o meu olhar continua a entender Sandoval como um dos mais importantes artistas que a Paraíba já produziu, um como que indizível de traduzir, com um trabalho internacional de ver e uma data luz: 60 anos.


Sem muito conversa, vamos lá, dar e receber esses presentes de nobreza e valor maior nas artes. Olugar6 fica na rua Quintino Boaciuva, torre – veja link
  https://m.facebook.com/places/map.php?id=102789630279462


 Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing - g.sabino@uol.com.br
 


CÁTIA DE FRANÇA É A PRÓPRIA MÚSICA

Cátia de França

               A percepção que a artista Cátia de França tem de mundo talvez não seja a mesma que nós, a maioria de humanos, tem em relação a tudo o que há ao redor. Está claro isso nas letras, nos poemas, na musicalidade, na força empreendida pela cantora através de sua obra. O olhar ao redor do sol, o verde e o azul que misturam-se ao amanhecer na Ponta do Cabo Branco que em ouro se torna, talvez não tenha a mesma graça, a mesma razão, a mesma serenidade, a mesma sensibilidade dos olhares de quem de frente para o mar...


Na semana que se passou Cátia de França se apresentou no espaço Capitão Farinha, em Jaguaribe, de muito bom gosto, e próprio para abrigar a cena cultural com profundas raízes de um bairro que teve estima pelas artes e trouxe importantes nomes para destacar a partir da Paraíba. Confesso que a emoção me tomou ao vê-la interpretar Ponta do Seixas, revolvendo em mim através de lágrimas todo um tempo vivido/nascido neste ponto oriental e a vontade de um dia voltar..Sim, um dia vou voltar....


A Paraíbatem sem dúvida muitos artistas inteligentes. Nenhum porém se iguala a força poética de Cátia de França na solidão de versos que buscam arranjados em tons de riqueza maior, de sapiência, de veracidade, de sagacidade, de resistência, além de um lúdico indizível. São quatro jogadores, Kukukaya, sentados nessa mesa para jogar. Sim, são quatro cabras de peia, de riso dócil, de rima fácil...

A música de Cátia de França mostra um blue jazz num sei de onde como se fosse ela mesma a origem desses ritmos, embalando misturados ao coco, ao maracatu, ao repente, ao canto umbandístico para relembrar a negritude, e a afro descendência em nós. Cátia é grande, é simples, é profunda. Cátia é lenda, é viva, é a própria música...


Uma senhora contando 70 anos, em cena, em pleno vigor, gritando, revolucionando, tirando casquinha da maldade, impondo versos da mais alta nobreza literária para questionar a tirania, a perversidade, uma mulher desafiando o tempo e a tudo e a todos que jogam contrário. Uma cantora, compositora, uma pessoa ligada no seu tempo sem dar falsa folga a ninguém.


Cátia de França, a quem agradecemos o prestígio de poder ouvi-a rara e bela, tenaz, grande mulher, grande tesouro da música popular paraibana para o mundo. Valeu!


*Cátia de França se apresenta neste sábado 02.12 no Café da Usina Energisa, e domingo 03.12, as 19 H., n´A Budega Arte Café, no bairro dos bancários. Vale conferir.


Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing - g.sabino@uol.com.br


SUA COMPANHIA ARTIFICIAL

EYE CYBORG FUTURE

Em 1980 escrevi um texto, ainda em máquina de datilografar (quem sabe o que é este equipamento de escrita?), no qual imaginava coisas futuristas. O texto havia endereçado a Maria do Rosário, uma namorada que morava em Olinda-PE. O conteúdo prescrevia a presença de um robô para serviços de entrega de flores, pizza, e convite para um jantar a dois. Ao final, Maria chega ao nosso apartamento, toca a parede e fala através de interfone, e entrando no elevador, sobe pelas paredes. Tudo isso parecia contexto de filme de 007, e uma vida moderna.


Passaram-se os anos e cá estamos, falando agora de drones que entregam encomendas à longa distância, carros inteligentes, robôs que prestam serviço de companhia romântica, nanotecnologia que possibilita ações milimétricas de cirurgias precisas não invasivas, smarts TV e phones, cartões de crédito ultrassensíveis, óculos e roupas térmicas adaptadas de sensores, casas premoldadas, cabanas eletrônicas e solidão.


Falamos sobre jogos eletrônicos e de guerra via rede de telecomunicações que interagem com o mundo inteiro, bancos na palma da mão, bilhões de música com um simples toque digital, enciclopédias com bilhares de informações online e superpoderes.


Para onde estamos caminhando? Para onde nos leva a Inteligência Artificial? Será que esta, dentro em pouco tempo, conseguirá superar a capacidade humana de raciocinar, sentir, emocionar-se, agir? Com a expansão automotora, ou seja, com a autonomia das máquinas que pensam e retroalimentam, seria possível ainda o homem domina-la? Em caso de guerras, seria possível o homem deter ações estratégicas de bombardeio coletivo? A que afinal, servem estas hiper poderosas invenções? Para facilitar e criar ao homem um mundo melhor, ou servir também de ameaça sem volta?


Pryscilla está no final do expediente de uma longa jornada e com simples toque no smarth aciona o carro que sai do estacionamento e à espera de portas abertas na saída do escritório. Enquanto caminha para seu próximo destino, ela assiste a séries em vídeos e comandos oferecem músicas de seu repertório preferido, sugerem compras, marcas de vinhos que estarão disponíveis na sua geladeira ao chegar em casa, e amigos virtuais com propostas de diversão. Melhor, robôs que prestam serviços de companhia com boas e inteligentes conversas e até dançam impecáveis um tango a dois com corpos coladinhos. Difícil é saber quem dos dois, ou ambos, é/são cyborgs. Pryscilla ou sua companhia que custa apenas 7000 dólares e já pode se adquirido através de sites da internet. Sim, o futuro já é. Digo, já era, já estamos pra lá de além...


Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing. g.sabino@uol.com.br
 


FOLIA DE RUA, CENTRO HISTÓRICO E ECONOMIA

CARNAVAL

             Na Semana que se passou fomos convidados a participar de reunião da Associação Folia de Rua, na qual estivemos presentes representando o Bloco dos Imprensados, da API - Associação Paraibana de Imprensa, e Confete e Serpentina, do grupo WSCOM, este com a presença do presidente, jornalista Walter Santos.
A pauta discutiu entre outros assuntos a abertura com presença da artista Cláudia Leite, na Via Folia - que vai do bairro Miramar à praia de Tambau, o impacto que isto traria; enquanto por outro lado a preservação do desfile no Centro Histórico, patrocínio, etc.


De nada adianta o debate sem que se conte com o apoio e a decisão do prefeito para se bater o martelo. Passa pelo gabinete do Senhor Prefeito, o destino do que será o Folia 2018. Se a prefeitura agir com inteligência irá buscar uma forma de contemplar tanto o público como os patrocinadores e a cultura em geral. Cláudia Leite ou qualquer outra atração nacional levam público capaz de esvaziar outros locais e isso é óbvio. Mas se atentarmos para nossos valores como Lucy Alves, Elba, Chico César, Gonzaga, etc., já temos aí um outro elenco de artistas só paraibanos com peso nacional. É preciso colocar em pauta e chamar os patrocinadores e fazer uma boa campanha de comunicação e valorizar tudo isso.


Assim tem sido em Recife, artistas nacionais e pernambucanos que dividem o palco do Carnaval. Também a Bahia, Fortaleza... Mas é preciso inteligência para a gestão do evento. Debater as possibilidades de forma sensata, equilibrada.
Em outra oportunidade falamos aqui sobre isso, de valorizar a cultura, o patrocinador, as empresas, a presença da Imprensa gerando horas imagens para o turista, valorizar a cidade. E temos que cuidar pra não deixar cair o Muriçocas - vejam o exemplo do Galo da Madrugada, em Recife, o maior bloco de rua do mundo segundo o Guiness Book. O Muriçocas tem sido ameaçado e é ainda nossa maior bandeira. Se cair, isto afetará toda a imagem do pré-Carnaval.


É importante abraçar o Pavilhão do Chá, oxigenar o Centro Histórico, revitalizar (dar nova vida), com os blocos desfilando pela Praça João Pessoa, Visconde de Pelotas, Duque de Caxias, General Osório, Praça Antenor Navarro, etc. Propor uma decoração com grandes pórticos, painéis, produtos e marcas. Promover figuras do nosso Carnaval como Livardo Alves, Elba, Jadir Camargo, Maestro Duda, Vilô, Jackson do Pandeiro e outros. Um grande Polo do Centro Histórico. Isto movimentaria a economia, aumentaria a autoestima da comunidade. É ali, justamente no varadouro, onde passam todos os ônibus da cidade. Parada obrigatória. Ponto convergente com opção de divertimento, lazer, comércio, arte e cultura.


Outro Polo, a Via Folia, e também noutros bairros. É imprescindível perceber a demanda crescente que há hoje em João Pessoa. Bairros autossustentáveis como Mandacaru, Geisel, Mangabeira, Bancários, e o Bessa, só para citar alguns.


Durante anos vivi principalmente a experiência de Recife, acompanhando negociações, montagens, desenho dos grandes eventos, etc. Com o esgotamento dos grandes centros, dá-se natural a tendência de uma demanda de bairros, espaços a serem cuidados, onde precisa manutenção, investimento, energia, gás, vida, economia. Não há centros sem periferia. É, repito, uma tendência. Em Recife são mais de vinte polos com ótimas atrações e tudo funciona. E as grandes marcas como Caixa, Banco do Brasil, AmBev, Asa, Vitarella, etc., estão todas lá inseridas no contexto para realizar uma boa festa. Ganham todos e movimentam milhões.
Mas tudo isso requer trabalho inteligente, trabalho profissional. A hora é de convidar para a mesa o prefeito Luciano Cartaxo, o presidente e vice da Funjope, Maurício Burity e Jonildo Cavalcanti, o Secretário de Comunicação, Josival Pereira, o presidente do Folia, Bola Nonato, as rádios e TVs, Empresas, instituições, Comércio e outros interessados.


Hora de por amor e energia, inteligência, trabalho, que a coisa acontece. O Produto e a demanda existem, e as marcas estão dispostas a investir, e participar. Precisa embalar e profissionalizar. Hora de despertar para um mercado potencial interno e com excelente atrativo turístico.


Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing cultural - g.sabino@uol.com.br
 


PODRES PODERES

CAETANO OCUPA VELOSO

As redes sociais pilharam de manifestações contra a proibição ontem (31.10), do show que o artista Caetano Veloso faria em uma ocupação em São Bernardo do Campo – SP, em favor de um grupo de trabalhadores sem teto.
A proibição partira da juíza Ida Inês Del Cid, da 2ª Vara da Fazenda Pública de São Bernardo, SP, alegando não haver condições técnicas de segurança para que o show fosse realizado.


Em tempos de democracia, com golpe explícito de tomada de poder, nada seria novidade, e o próprio Caetano Veloso diz que a preocupação se sobrepõe as esperanças. Ele, Caetano Veloso, foi durante a ditadura militar de 64, proibido de cantar no país e exilado em Londres ao lado de Gilberto Gil. Com a Anistia, voltaram ao Brasil onde seguem carreira de grande sucesso.


Durante a ditadura militar de 64, que durou no país, longos 20 anos, causando estrago e atraso social, impedindo o desenvolvimento, muitos estudantes desapareceram para nunca mais voltar. A censura prevaleceu nas redações dos veículos de comunicação como jornais, rádio, televisão. Não havia ainda a internet. Os militares prenderam e torturaram aqueles de quem suspeitavam estar contra o Governo, alegando serem subversivos e defenderem o comunismo (palavra esta, na época, proibida de ser mencionada sob risco de ser preso e morto).


A ditadura pregou um regime autoritário, desconhecia direitos humanos, a ordem era de forma opressiva bloqueando a democracia, o livre direito de pensar e agir e caminhar. Artistas, diversos artistas, tiveram que ir embora e abandonar o país sob risco de serem presos e torturados até o extremo. Houve casos, como do jornalista e poeta Vladimir Herzog, que morreu nos porões da ditadura, e centenas de outros. Hoje nos vemos diante de uma censura descarada, de um Governo que ameaça retroceder, proibir, e que mal trata, que persegue, que condena o país à duras penas de atraso, fome, falta de educação e saúde. 2016/2017 retratam muito do que foi a ditadura militar de 64, de forma mascarada, agora com nova roupagem. Uma ditadura que mata de fome, bloqueando todo um processo de desenvolvimento em que vinha sendo conduzido o Brasil.


Hoje são cortadas as verbas de Ciência e Tecnologia, os anciãos sofrem para se aposentarem, a corrupção tomou conta dos poderes políticos e judiciais, a violência anda solta e o tráfego de drogas comanda cidades, e temos aí um tempo obcuro. Como não bastasse, vem novamente as proibições, a violação de direitos adquiridos sob a batalha de longos anos de conquistas. Apesar de tudo isto, vemos ainda pessoas dentro de um tamanho ridículo manifestando vontade de que volte o regime militar.


A democracia está arranhada, a Constituição foi rasgada, desrespeitada, o povo perdeu as esperanças, a motivação. Pior, o povo influenciado através da ação de neuromarketing, se deixou envolver por notícias que embalam a razão real das coisas e caminha para o anti-diálogo através do ódio, com ações de violência, preconceito, xingamento. A mídia diz que o governo não serve e abre espaço para estampar escândalos, transformando pequenos em grandes problemas que chegam afetar a imagem do país lá fora. Nossa credibilidade está afetada. Vivemos um tempo difícil, ameaçador.
Enfim, como diz o poeta e cantor Caetano Veloso, política é o fim!


A seguir, a letra de Podres Poderes, de Caetano Veloso, composição dos anos 80 ainda muito em voga.

Enquanto os homens exercem / Seus podres poderes / Motos e fuscas avançam / Os sinais vermelhos / E perdem os verdes / Somos uns boçais

Queria querer gritar / Setecentas mil vezes / Como são lindos / Como são lindos os burgueses
E os japoneses / Mas tudo é muito mais

Será que nunca faremos senão confirmar / A incompetência da América católica / Que sempre precisará de ridículos tiranos/ Será, será, que será?/ Que será, que será? / Será que esta minha estúpida retórica / Terá que soar, terá que se ouvir / Por mais zil anos

Enquanto os homens exercem / Seus podres poderes / Índios e padres e bichas / Negros e mulheres / E adolescentes/ Fazem o carnaval

Queria querer cantar afinado com eles / Silenciar em respeito ao seu transe num êxtase / Ser indecente / Mas tudo é muito mau

Ou então cada paisano e cada capataz / Com sua burrice fará jorrar sangue demais / Nos pantanais, nas cidades / Caatingas e nos gerais

Será que apenas os hermetismos pascoais/ E os tons, os mil tons/Seus sons e seus dons geniais/ Nos salvam, nos salvarão/ Dessas trevas e nada mais

Enquanto os homens exercem/Seus podres poderes/Morrer e matar de fome/De raiva e de sede/ São tantas vezes/ Gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo/Daqueles que velam pela alegria do mundo/Indo e mais fundo/ Tins e bens e tais

Será que nunca faremos senão confirmar/ Na incompetência da América católica/Que sempre precisará de ridículos tiranos/Será, será, que será?
Que será, que será?/Será que essa minha estúpida retórica/Terá que soar, terá que se ouvir/ Por mais zil anos

Ou então cada paisano e cada capataz/Com sua burrice fará jorrar sangue demais/Nos pantanais, nas cidades/Caatingas e nos gerais

Será que apenas/Os hermetismos pascoais/E os tons, os mil tons/Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão/Dessas trevas e nada mais

Enquanto os homens Exercem seus podres poderes/ Morrer e matar de fome
De raiva e de sede/ São tantas vezes/ Gestos naturais
Eu quero aproximar/O meu cantar vagabundo/Daqueles que velam/Pela alegria do mundo
Indo mais fundo/Tins e bens e tais!/Indo mais fundo/Tins e bens e tais!/Indo mais fundo/Tins e bens e tais!

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing. g.sabino@uol.com.br
 


JOÃO Pessoa (nada) Criativa

RECIFE X JOÃO PESSOA

           Uma decisão tomada na semana passada por parte do prefeito da Capital, encaminhando à Câmara Municipal, em favor da criação de um Polo de Informática nos arredores do extremo oriental, ponta do Cabo Branco, pode parecer interessante; a menos que não fosse, como foi, de encontro à construção de uma outra ação que vinha sendo implementada com larga visibilidade e apoio de grandes instituições como a UFPB, SUDENE, APL, Parque Tecnológico, Arquidiocese da Paraíba, FAPESP, Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, ABRASEL, ABAP, Folia de Rua, Iphaep, Bancada Federal da Paraíba (Deputados e Senadores) e muito outras; ou seja, o APL de TICC – Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação, Comunicação e Cultura. Diga-se de passagem, havendo já acordo prévio de incentivo, inclusive sob compromisso do Senhor Prefeito, ao APL; e que a partir de agora passa a sofrer divisão. Não apenas isto, mas trava toda uma construção que favoreceria movimentando a economia, reduzindo as desigualdades e fortalecendo a autoestima da população em torno do Centro Histórico da cidade, a terceira Capital mais antiga do Brasil.


O significado da atitude do prefeito, como também da associação requerente, a Suceso, que aglomera pouco mais de quarenta pequenas empresas de informática, que entre elas vivem lutando para conquistar espaço e visibilidade, e do vereador Thiago Lucena, que encaminhou todo o processo; desperdiça a possibilidade inteligente de formar-se grande ação para tirar João Pessoa do atraso em que se encontra. Escrevemos isso, sem claramente desmerecer o respeito pelo núcleo inteligente que certamente há por trás das ações do poder municipal.


Falando em atualidade de economia e negócios, estivemos recentemente acompanhando grandes eventos internacionais que tratam sobre temas como Cidades Inteligentes e Economia Criativa, e também Gestão Disruptiva. Logo, este último tema nos leva para ações que são tomadas a exemplo de um grande de time de Rugby - aquela modalidade de futebol originária da Inglaterra, porém aqui conhecida por Futebol Americano, com uma bola alongada e cada time com quinze jogadores. O que isto tem a ver com ações inteligentes relaciona justamente na tomada de decisão coletiva. Quando todos se juntam por uma causa diminuindo tempo na construção e planejamento estratégicos, ganhando agilidade e conquista de resultado. A entrega de projetos se dá de acordo com ritmo do que há de mais moderno e atual na economia mundial. Assim, por exemplo, a Fiat Crysler trabalha paralelamente em núcleos de inteligência e informática espalhados através do mundo desde a Itália, França, Inglaterra, Estados Unidos, Tokyo, até a recentemente inserida no contexto, a Capital pernambucana, Recife, ocupando seu Porto Mídia para aceleração de Projetos. A General Eletric está instalando nova planta no Vale do Silício para juntar-se à grande comunidade de robótica e TI, entre outros. Ou seja, o novo conceito aproxima, conecta, em vez de dividir.


João Pessoa está prestes a emplacar um milhão de habitantes, tem clima favorável, e um projeto de financiamento de 100 milhões de dólares junto ao BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a ser confirmado ainda este ano. O BID Trabalha para melhorar a qualidade de vida na América Latina e no Caribe. Ajuda a melhorar a saúde, a educação e a infraestrutura através do apoio financeiro e técnico aos países que trabalham para reduzir a pobreza e a desigualdade. O objetivo, segundo consta em suas diretrizes, é alcançar o desenvolvimento numa forma sustentável e ecológica. Com uma história que remonta a 1959, como a principal fonte de financiamento para o desenvolvimento. O banco oferece empréstimos, subsídios e cooperação técnica; e realiza inúmeras pesquisas. Mantém um forte compromisso de alcançar resultados mensuráveis e os mais elevados padrões de integridade, transparência e rendição de contas. As áreas atuais de intervenção do Banco incluem três desafios de desenvolvimento – inclusão social e equidade, produtividade e inovação e integração econômica – três temas transversais – igualdade de gênero, mudança climática e sustentabilidade do meio ambiente, e capacidade institucional do estado e estado de direito.


Ao desmerecer o APL de TICC, a prefeitura bloqueia as novas possibilidades de revitalização urbana do Centro Histórico, se nega à comunidade abandonando todo um processo de Economia Criativa da região do Sanhauá - onde justamente nasceu a cidade, onde há recursos fluviais contando ainda com sítios históricos e casario alinhado ao acervo patrimonial e ao tão divulgado turismo da Capital. Trava algumas soluções urbanas já testadas em outros grandes centros e promove distanciamento da realidade e da inovação. É preciso despertar e repensar, refletir para não continuarmos no atraso miserável a que nos reportamos. A cidade (que eu amava e que está registrada nas fotos) não corresponde à cidade que eu quero para mim, para meus filhos, para as gerações futuras, a cidade que eu amo, a cidade que eu nasci. DESTRAVA JOÃO PESSOA!


INFORMAÇÕES SOBRE O PORTO MIDIA – Recife – PE

Porto Digital foi criado há 16 anos com aporte inicial do Governo da ordem de 36 milhões. Nasceu com três empresas e 46 pessoas trabalhando. Tem hoje 1,3 Bilhão de Faturamento, mais de 250 empresas, mais de 500 empreendedores, oito mil empregos, e meta de duplicar até 2022. Lá estão instaladas Start Ups, Micro e Pequenas Empresas, Novos Negócios, Agências de Fomento e Crédito. A força criativa atrai e conta com empresas Multimídia, Games, Cine-Vídeo, Animação, Música, Fotografia, Robótica, Design, etc., e a presença de algumas das grandes marcas mundiais como IBM, Microsoft, Samsung, Motorola, Nokia e Fiat-Crysler.
 

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing - g.sabino@uol.com.br


O GRANDE ZÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA

ZÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA

            A noite deste sábado (07.10) contemplou a plateia paraibana que esteve presente ao Teatro Santa Roza com a abertura do projeto MARTE – Mostra de Artes Teatrais Integradas, destacando o grande ator e diretor José Celso Martinez Corrêa, um dos mais importantes nomes da dramaturgia brasileira, que logo dominou a cena com a sua Aula Magnânima, trazendo a história do teatro desde a Grécia, passando por Roma, até os dias atuais em que somos ameaçados por nova censura.


O nu esteve presente, como quase em todo evento onde pontua a presença de Zé Celso, desafiando os novos tempos, de golpe político e ameaça de ditadura militar. Zé Celso tem 80 anos, sendo 50 dedicados ao teatro. É sem dúvida um dos mais premiados nomes da dramaturgia. Sofreu exílio durante o golpe de 1964, e sua história simboliza a resistência do Teatro Oficina, do qual é fundador, na grande São Paulo, travando à longa data, briga judicial com o grupo do empresário Silvio Santos, que deseja destruir o teatro para construir um shopping center e torres empresariais no local.


Em cena, em menos de dois minutos, como que magnetizando a todos, Zé Celso domina o espaço ao redor e delega ordens à plateia que segue seus ensinamentos desde o aprender a respirar, mover-se, cantar, pensar, expressar. Critica o uso do aparelho celular no local, sugere um teatro grego, retirando o público do conforto das cadeiras e recolocando-o nas frizzas dos andares superiores. Sua aula prossegue com o coro participativo de todos. “O teatro são as pessoas, todos...”, e ensina canções contemplativas do cosmos, reage à criatividade e explora o potencial de todos. Agora somos todos teatro... E chama atenção para o silêncio. Ouçam o silêncio.


A perseverante presença e filosofia de vida de Zé Celso, que em dado momento responde dizendo “não trocar o direito de sonhar, pelo desejo de Silvio Santos, de acabar com o teatro Oficina em troca da oferta de cinco milhões”, confirma a extraordinária dignidade na figura de um homem consciente de seu papel. “Porque eu iria trair a mim, trair meus amigos os atores de teatro que ajudaram a construir o Oficina e lá estão resistindo?”


Zé Celso prega com a máxima autoridade a fala de liberdade de uso do corpo, o direito de utilização da maconha, LSD e outras drogas de que diz ter feito uso na maioria das suas atuações liberando a alma, o ato de criar, atuar em cena. Sem perder a consciência, a personalidade, sem se trair, mas ousando, avançando nas suas convenções de cidadão, de direito.


Zé Celso Martinez Correa veio até nós, provando que mesmo com oitenta anos, ainda está em pleno vigor com sua inquietude e irreverência e uma indizível força e disposição de criatividade que o torna ícone ímpar do teatro contemporâneo.

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing.
g.sabino@uol.com.br
 


PORQUE TEMOS UMA AGENDA VIVA

Nathália Bellar e Gil Sabino

Há dois anos retornamos à João Pessoa, e voltamos à conviver com a movimentação cultural da cidade. Após 33 anos fora do Estado, logo ficamos encantados com a multiplicidade de propostas artísticas espalhadas por todo lado. Um grande número de músicos, atores, escritores, pintores, artesãos, produtores, etc.
Nas conversas com o jornalista e amigo, e empresário de comunicação Walter Santos, tomamos a decisão de comunicar o que acontecia. Pensei se sou um jornalista da área cultural, porque ficar fora? E senti que não podia me furtar à responsabilidade em comunicar a arte e a cultura. Criamos então o projeto AGENDA VIVA.


A proposta inicial trata de um imenso diálogo entre as artes, a música, literatura, teatro, cinema, dança, fotografia, etc. Usando, claro, a poderosa ferramenta digital através da internet, trouxemos a fanpage, interativa, depois o site agendavivapb.com.br A nossa é uma proposta de criar uma grande comunidade consumidora do produto artístico e cultural, e também turístico. Temos trabalhado bastante para que isso aconteça e já vemos resultados.


A AGENDA VIVA teve de início o apoio parceiro do portal WSCOM, com sua média de 2,5 milhões de acessos/mês, e um fortíssimo formador de opinião. Também a API – Associação Paraibana de Imprensa. E fomos produzindo conteúdo, entrevistando produtores, gestores, artistas paraibanos famosos e até globais, das diversas áreas, logicamente inseridos com as novas gerações; gravamos vinhetas de apoio em que Zé Ramalho, Elba, Zezita Matos, Chico César, Escurinho, Totonho, Marcélia Cartaxo, Luiz Carlos Vasconcelos, Nanego Lira, Seu Pereira, Nathália Bellar, Pedro Osmar, Val Donato e muito outros dizem a famosa frase de apoio “Eu também estou na Agenda Viva”.


Entre outras ações estratégicas para fortalecer a marca vimos apoiando eventos de quase todos os artistas que nos enviam material para divulgação, e tivemos algumas realizações próprias tanto na API como na UFPB, com novos apoios como o CCTA, TVUFPB, Oliver Discos, Picuí Praia, Marcos Weric, G1, Jornal da Paraíba, CBN, e tivemos as portas abertas dos espaços culturais como Café 17, Buarque-se Café, Café da Usina Energisa, Vila do Porto, Parahybólica, Funesc, Funjope e muito outros.


A cronologia desses dois anos nos remete a uma dura batalha de caminhar aqui e ali, e acolá, conquistando pouco á pouco, e sempre motivado pelo espírito de investidor nos propósitos culturais como forma de comunicar, e multiplicar, e valorizar o que há de mais importante em nossa sociedade artística, criando esse grande diálogo de que escrevemos acima. Esse é o nosso papel dentro das artes e da cultura.


Agora confirmamos novo momento do nosso projeto, somando além da marca WSCOM, a TV Empreender, do empresário Arnaldo Silva, que nos oferta parceria na condição de melhorar nosso material e conteúdo, com qualidade superior e digital, e um excelente estúdio localizado na Avenida Beira Rio – no bairro da Torre.


Esses são alguns dos nossos passos, dentro do nosso planejamento de trabalho, para marcar história na arte e na cultura da Paraíba. Como afirma o poeta e escritor e Secretário de Cultura, Lau Siqueira, “a AGENDA VIVA é seguramente um dos melhores projetos culturais”. Por esse e outros motivos agradecemos especialmente a Walter Santos que primeiro acreditou, e a todos que receberam esse projeto e se inseriram junto à nossa marca. Artistas, produtores, colaboradores, voluntários, empresários, jornalistas e demais. Essa é a nossa expressão maior, uma Agenda Viva!


Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing.
g.sabino@uol.com.br
 


CENSURA, DIVERSÃO E ARTE

ERÓTICA

Os equívocos do que é, ou não é arte, não são de hoje. Lembro-me de um artigo do poeta Ferreira Gullar que questionava uma dessas chamadas obras que lá estava num canto da Bienal, no Ibirapuera. Era nada mais, nada menos que uma frigideira e um ovo sendo frito. Fui lá conferir e tive oportunidade de ver muito mais que simples propostas que mais pareceram aberrações, coisas sem mínima importância ou descartáveis, lixo mesmo.


Noutra oportunidade um artista (?) perverso encontra na rua um cachorro, resolve amarra-lo a uma corda e coloca-lo num canto de sala na exposição até que definhando chegue à morte. Claro, antes passando pela tortura de sede e fome, de urinar, obrar, urrar e contorcer-se e tudo o mais...


Até onde vai o nosso inconsciente ou até que limite dispõe é uma linha tênue. Onde era sim, hoje pode ser não, e vice-versa. O mundo muda, os conceitos vão se adequando, adaptados a cada época, cada cultura, cada situação... O uso do corpo, ou uma máquina de datilografar, uma caneca, um tubo de creme dental, um absorvente usado, projeções nas oito paredes de uma sala, gritos, arames, raízes de árvores expostas, etc., tudo pode ser entendido como arte, ou criticado.


Parece que o propósito fica mesmo contido dentro do ego, da necessidade que a maioria dos artistas tem em destacar, em apresentar como que um diferencial, mesmo que esse diferencial sirva apenas para debates em manchetes passageiras de mídias virtuais sem significar vanguarda.


Refiro-me aos casos recentes de exposição, de um grupo de mulheres que entra em cena num palco, urinam nas calças e saem de cena. E o top case do banco Santander, com a exposição de quadros que lançavam mão de propostas sensuais com sexo explícito, estupro, pedofilia, blasfêmia, etc., e que causou nas redes sociais esta semana, até o ponto de o banco decidir encerrar.


Uma amiga nos escreve apelando para a volta da censura. Outros comentam nas redes questionando a liberdade de expressão. Vai com isso um bom debate e um lixo indizíveis, de horas energias gastas, sem se chegar a um objetivo. Não sabemos por quanto tempo aquilo terá tenacidade em nossas mentes. Se será útil, se terá sido apenas um momento, um flash, um desejo de vanguarda, uma provocação inconsciente, um estorvo subconsciente do artista. Não sabemos os propósitos do curador, nem o compromisso religioso dos que criticam. Nem se Jesus teria relacionado com homoafetivos, se teria sentido culpa, nojo, prazer, se os teria perdoado achando caber dentro d fragilidade do pecado. Ou se isso é pecado, ou se aquilo merece tanto destaque. Enfim...


EM TEMPO: Postamos uma tela da exposição de Pedro Correia de Araujo (foto) – Eróticos, em cartaz no MASP, e o Face book retira e me manda mensagem informando que restringiu, pois a imagem trazia conteúdo sensual. Ops! Uma tela com trabalho de arte, uma negra nua, sentada, sem maiores insinuações...??? Ui! Censura Digital. Sinto-me no BIG BROTHER, sendo vigiado 24 horas. O que é isso? Voltamos à Ditadura de 64, ou aquilo nunca acabou? Não evoluímos, o mundo não progrediu em conceito social? Há o falso moralismo rondando...


Continuando - O respeito tem também nesse cenário, curva ascensional impondo corresponder. A ditadura individual de cada internauta faz blasfemar, atirar, denegrir. Ou elogiar, clamar pela livre liberdade de expressar, e outras defesas. Enfim, já dizia o poeta, que a gente não quer só comida, a gente quer também diversão e arte. E nesse momento temos um grande mix de Censura, diversão e arte. Divirtam-se!

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing.
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